quarta-feira, 26 de agosto de 2026

SÉRIE: QUANDO A FÉ ENTRA EM CRISE. 2ª Parte


A Crise de Jeremias- Quando as forças se esgotam e as lágrimas não cessam
Texto: Jeremias 12:5; 15:18; 20:09,11.
 
Jeremias 12:5 (ARA)
“Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?”
 
Jeremias 15:18 (RA)
“Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias Tu para mim como um ilusório ribeiro, com águas que enganam?”  - Na NVT diz “como uma fonte que se secou”
 
Jeremias 15:18 (RA)
⁸ Por que, então, continuo a sofrer? Por que minha ferida não tem cura? Teu socorro parece incerto como um riacho inconstante; “NVT-  é como uma fonte que secou".
 
Jeremias 20:9 (RA)
9 Mas, se digo que nunca mais mencionarei o Senhor, nem falarei em seu nome, sua palavra arde como fogo em meu coração; é como fogo em meus ossos. Estou cansado de tentar contê-la; é impossível!
 
Jeremias 20:11 (RA)
¹¹ Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro; por isso, tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão; serão sobremodo envergonhados; e, porque não se houveram sabiamente, sofrerão afronta perpétua, que jamais se esquecerá.
 
 
Introdução: Graça e Paz irmãos! Hoje é a nossa segunda ministração de nossa série: Quando a Fé entra em Crise.
 
Na primeira ministração aprendemos através de Jó que a fé pode entrar em crise, quando diante do sofrimento que enfrentamos, não temos respostas imediatas de Deus, parecendo que ele está em silêncio e por isso, indiferente à nossa dor. No entanto, aprendemos com Jó que não podemos perder a nossa conexão com Deus, devemos busca-lo ainda que na forma de lamentos e desabafos e que a sua cura de teve início no encontro com Deus, não na resposta às suas perguntas.
O nosso personagem de hoje é o Profeta Jeremias. A crise do profeta Jeremias vem de um esgotamento físico e emocional de quem carrega uma dura missão. Conhecido como o "profeta chorão", ele enfrentou basicamente três situações que minaram a sua fé: (1) rejeição, (2) solidão (3) e o peso de anunciar um juízo.
 
O profeta sentindo que suas forças haviam acabado, chegou ao ponto de comparar a Deus à uma fonte que secou.
 
Jeremias 15:18 (RA)
“Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias Tu para mim como um ilusório ribeiro, com águas que enganam?”  - Na NVT diz “como uma fonte que se secou”
 
Jeremias é um profeta atípico. Ele é um profeta que desafia o senso comum sobre o agir de Deus. Sem dúvida alguma, o tratar de Deus em sua vida em muito se assemelha ao da vida de Jó. Por isso ele é conhecido como o profeta chorão não apenas por profetizar um juízo de Deus para um povo de coração duro e que se recusava a se arrepender, mas também por ser o mais rejeitado de todos os profetas do Antigo Testamento!
 
Jeremias, tinha apenas 17 anos quando Deus o chamou. Além disso, ele não encontrou conforto humano. Deus o havia impedido de se casar ou ter filhos (Jeremias 16:2), e seus amigos lhe viraram as costas. Além do fardo de sua missão ele carregava consigo o fardo da solidão. Voltando então ao capítulo 12, Jeremias está em meio a uma de suas crises, mas agora ele chega a questionar a Deus em duas situações:
 
O primeiro questionamento que ele faz é: “... Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?” Jeremias 12:1
 
E ao fazer este questionamento ele deseja realmente a morte destes homens injustos e cruéis (Versículos 2,3)
 
O segundo questionamento que ele faz está no versículo 4: “Até quando estará de luto a terra, e se secará a erva de todo o campo.” Jeremias 12:4
 
Neste segundo questionamento ele não atribui diretamente a Deus a causa destas desgraças, mas ele questiona a duração daquela calamidade.   
 
No verso 4 ele diz: “Por causa da maldade dos que habitam nela, perecem os animais e as aves; porquanto dizem: Ele não verá o nosso fim”. Jeremias 12:4
 
Após apresentar este pequeno resumo sobre o contexto de Jeremias, vamos aprender algumas lições que nos ajudarão a não desistirmos nos momentos de esgotamento e tristeza.
 
1- JEREMIAS NÃO DESISTIU PORQUE O CHAMADO E A PALAVRA DE DEUS O SUSTENTARAM NA MISSÃO: (Jeremias 20:7-9)
 
7 Ó Senhor, tu me constrangeste, e eu me deixei constranger. És mais forte que eu e prevaleceste. Agora, sou motivo de zombaria todos os dias; todos riem de mim.
8 Pois, sempre que abro a boca, é para gritar: “Violência e destruição!”. Essas mensagens do Senhor me transformaram em alvo constante de piadas.
9 Mas, se digo que nunca mais mencionarei o Senhor, nem falarei em seu nome, sua palavra arde como fogo em meu coração; é como fogo em meus ossos. Estou cansado de tentar contê-la; é impossível!
 
Jeremias era um ser humano como nós. Ele tem algumas crises tão severas a ponto de sentir vontade de desistir de seu chamado. Esse desejo de desistir é sintetizado por duas frases que ele disse: (vs.9)
 
“nunca mais mencionarei o Senhor, nem falarei em seu nome,”
 
Mas o seu chamado e a Palavra do Senhor eram como fogo que ardia dentro dele. O profeta era movido pelo fogo da vocação.
 
Nós também precisamos ser movidos por esse fogo que arde em nossos corações, amem!!
 
Eu entendo irmãos que à semelhança de Jeremias nós também recebemos do Senhor uma mensagem impopular que chama as pessoas ao arrependimento e a conversão sincera. E isso pode nos causar também uma grande angústia. O contexto em que vivemos é o mesmo de Jeremias. Um contexto de forte rejeição à Palavra de Deus!
 
2 Timóteo 4:1-5 | ARA
¹ Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino:
² prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.
³ Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;
⁴ e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.
⁵ Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.
 
Todos os crentes receberam um chamado de Deus. Somos parceiros de Deus. Quando Deus nos redimiu, ele também nos chamou para uma tarefa, para uma missão. Todos nós somos chamados para isso. Uma coisa certa! Quando você se decide se envolver com a obra do Senhor, você será tentado a desistir. Lutas virão. Mas nem pessoas, nem o diabo, nem anjo algum, nem você mesmo, podem apagar aquele fogo ardente dentro de você, aquela voz que chama você pelo nome.
 
 
2- JEREMIAS NÃO DESISTIU PORQUE CONFIAVA QUE O SENHOR ESTAVA COM ELE COMO UM PODEROSO GUERREIRO. (Jeremias 20:10,11)
 
¹⁰ Porque ouvi a murmuração de muitos: Há terror por todos os lados! Denunciai, e o denunciaremos! Todos os meus íntimos amigos que aguardam de mim que eu tropece dizem: Bem pode ser que se deixe persuadir; então, prevaleceremos contra ele e dele nos vingaremos.
¹¹ Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro; por isso, tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão; serão sobremodo envergonhados; e, porque não se houveram sabiamente, sofrerão afronta perpétua, que jamais se esquecerá.
 
Esse “mas” do vers. 5, marca o ponto de importante no texto. Nada ocorreu no plano
externo. O povo ainda zomba do Profeta e sua mensagem, o corpo do profeta ainda está dolorido pelas marcas dos açoites.
 
A mudança acontece no eixo da perspectiva. Jeremias recorda quem Deus é, não quem ele próprio sente no momento de sua dor.
 
¹¹ “Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro”
 
A palavra “guerreiro” (gibbor) remete à imagem de um campeão que entra na batalha para proteger aliado no seu momento de vulnerabilidade.
 
Você ainda é dominado pelo medo quando surge uma ameaça em sua vida? Você ainda se assusta com as más notícias? Você fica ansioso quando alguém te conta que algo ruim está para acontecer?
 
Todos nós temos esta tendência e caímos nesta armadilha se usarmos demais os nossos olhos naturais.
 
Precisamos usar os olhos da Fé para sabermos que maior é aquele que está em nós, do que aquele que está no mundo!!!
 
  
3- JEREMIAS NÃO DESISTIU PORQUE TRANSFORMOU SUAS ANGÚSTIAS EM LOUVOR AO SENHOR INDEPENDENTE DA SITUAÇÃO DIFÍCIL. (Jeremias 20:12,13)
¹² Tu, pois, ó Senhor dos Exércitos, que provas o justo e esquadrinhas os afetos e o coração, permite veja eu a tua vingança contra eles, pois te confiei a minha causa.
¹³ Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado das mãos dos malfeitores.
 
Este texto é um brado de louvor ao Senhor, porque o Senhor liberta o “necessitado/oprimido” das mãos dos malfeitores.
 
O louvor perfeito brota do coração ferido. Em meio à dor, surge um grito de louvor. É um hino de louvor ao Senhor da obra.
 
Lembremos de Paulo e Silas, presos em Filipos, depois de açoitados, “oravam e cantavam louvores a Deus” (At 16.25).
 
CONCLUSÃO:
 
A resposta do Senhor à angústia de Jeremias no cap. 12:5 foi bastante chocante: Ao invés de simpatizar com sua situação e confortá-lo, o Senhor censurou-o e desafiou-o, a prosseguir dizendo:
 
“Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?” Jeremias 12:5 (ARA)
 
 
Deus fez o profeta saber que ele estava em no meio de uma corrida e por isso não podemos parar ou retroceder. Alguns textos sugerem que Jeremias estava em uma competição.
 
Muitas vezes li este texto e não compreendi. É normal uma competição, de homens contra homens. Mas competir, apostar uma corrida entre um homem e um cavalo?
 
Será que isto é possível? Será que não é uma competição desigual?
 
Sabe o que eu descobri? Que este tipo de competição já existe e possivelmente existia na antiga Babilônia.
 
- Competir com homens que vão a pé, nos fala de uma dimensão terrena desta corrida. De um nível normal de corrida.
- Competir com homens que vão a cavalo nos fala de uma dimensão sobrenatural. Aí é outro nível de corrida. Deus sempre nos levará a um nível sobrenatural de conquistas!
 
O que Deus estava dizendo a Jeremias é que se ele não conseguisse vencer a corrida com os homens (um nível básico de corrida) ele não poderia estar preparado para enfrentar o nível mais difícil que é correr com cavalos.
A grande verdade é que nossa vida também é uma corrida, uma competição. (Hebreus 12:1,2)
 
“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.”.
 
É assim que nós, que fomos chamados, devemos correr a carreira que Deus propôs para nós… sem embaraços, sem peso, sem pecado, sem atrasos, sem mágoas, sem olhar para as circunstâncias, sem ressentimentos, ou qualquer outra coisa do tipo.


Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO

 

 

 


domingo, 23 de agosto de 2026

SÉRIE: QUANDO A FÉ ENTRA EM CRISE (1ª Parte)


 A CRISE DE JÓ: QUANDO VIVER SE TORNA INSUPORTÁVEL
 Textos: Jó 14:7-9; 38:1; 42:1-6,10-12.

 Jó 14:7-9
⁷ Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.
⁸ Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco,
⁹ ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.

 Jó 38:1
¹ Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó:

 Jó 42:1-6,10,12-17
¹ Então, respondeu Jó ao Senhor:
² Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
³ Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
⁴ Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
⁵ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.
⁶ Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
¹⁰ Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.
¹² Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.
¹² Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.
¹³ Também teve outros sete filhos e três filhas.
¹⁴ Chamou o nome da primeira Jemima, o da outra, Quezia, e o da terceira, Quéren-Hapuque.
¹⁵ Em toda aquela terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.
¹⁶ Depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.
¹⁷ Então, morreu Jó, velho e farto de dias.
 
Introdução: Graça e Paz amados! Eu quero iniciar com vocês uma nova série de mensagens que tem como tema principal a FÉ. Mas não vou falar de uma fé que não se abala, pelo contrário, vou falar sobre uma FÉ QUE ENTRA EM CRISE.

Antes de tudo é importante sabermos como a bíblia define a fé:
 Hebreus 11:1 | ARA
¹ Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.

Se a fé tem a ver com certeza de coisas que se esperam, e convicção de fatos que não se veem, quando a nossa fé entra em crise, ela deixa de ser apenas uma certeza automática e se transforma em um profundo questionamento sobre o sentido da vida, o sofrimento ou a presença de Deus.

Quando a nossa fé entra em crise perdemos a convicção dos fatos que não se veem e nos apegamos apenas àquilo que é visível e palpável.

 O que provoca a crise em nossa fé?
·         Dor e sofrimento: A perda de alguém querido, uma doença grave ou injustiças fazem a pessoa questionar a justiça ou o amor divino.
 
·         Silêncio de Deus: A sensação de que as orações não são ouvidas ou respondidas gera um vazio e distanciamento.
 
·         Frustração com instituições: Escândalos ou falhas humanas em comunidades religiosas abalam a confiança naquilo que era visto como exemplo.
 
·         Mudança de visão: Novas descobertas intelectuais ou científicas confrontam ensinamentos rígidos recebidos na infância.

O problema é que muitos de nós costumamos imaginar a vida de fé como ausência de problemas e como um currículo cheio de vitórias compartilhadas nas redes sociais. No entanto quando você lê a bíblia do inicio ao fim você irá se deparar com pessoas de fé que vivenciaram crises reais. Pessoas que chegaram ao desespero, que duvidaram em algum momento das promessas de Deus e outras que foram tentadas a desistir de sua fé. 
  
A Palavra de Deus não apenas reconhece a crise na vida do justo, com também registra suas dores, seus gemidos, lágrimas e perguntas que não encontraram resposta imediata. A Escritura nasce da convicção de que a jornada de fé não contorna o vale; ela o atravessa. Deus se revela em meio à crise, mas nem sempre se explica; Ele se aproxima, mas nem sempre remove de imediato o espinho.

Tendo este contexto em mente, hoje eu quero falar sobre Jó.

“A história do homem de Uz não pretende relativizar sua dor; ela apenas revela que o sofrimento nem sempre é recibo de culpa, nem ausência automática de Deus. Há realidades que não cabem em fórmulas — e isso não invalida a fé, apenas a torna mais honesta”. Escritor Jobe Vieira – Enxertados

Quem era Jó?

Segundo a declaração do próprio Deus Jó era “irrepreensível, íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1).
Ele era também um Pai temente e que exercia um papel de sacerdote do seu lar. Antes do amanhecer, conforme o que diz no vers. 5, ele oferecia sacrifícios em favor dos filhos “pois dizia: ‘Talvez meus filhos tenham pecado…’ ” (1.5)
J
ó também era muito próspero. A prosperidade que desfrutava, rebanhos numerosos, servos leais, dez filhos que celebravam juntos, reforçava a ideia de que a fidelidade sempre desemboca em bênçãos visíveis.

Até que o imprevisível aconteceu. Num único dia, mensageiros sucessivos relataram assaltos, mortes e perda de todos os bens; a última notícia trouxe o luto: um vento do deserto derrubara a casa onde os filhos festejavam, matando cada um deles (1.13-19)

Logo depois, úlceras cobriram o corpo de Jó “da planta do pé ao alto da cabeça” (2.7). Sentado no pó, ele raspou as feridas com um caco de cerâmica; a devoção que antes parecia sólida encontrou o silêncio absoluto do céu.

Por conta de suas perdas ele entra em depressão de tal maneira que ele deseja nem ter nascido: “Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela?” Jó 3.11.

Entender porque Jó desejou a morte é até compreensível diante de um sofrimento intenso e real que ele passou! 

A sua mulher, que também sofria com ele a mesma desventura reage: “Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (2.9).

O isolamento torna-se mais profundo: o companheirismo conjugal, que em outros dias oferecia suporte, agora questiona a viabilidade da fé.

No espaço de pouco tempo, Jó perde trabalho, status, sustento, filhos, saúde e apoio emocional. A narrativa não oferece explicação humana e, até aqui, Deus permanece em silêncioE aí aparecem neste cenário (Jó 2:11)  os amigos de Jó que tentam consolá-lo em sua dor:

Jó 2:11 | ARA
¹¹ Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo.

Conforme o verso 13 eles se sentam com ele em terra e ficam 7 dias e noites totalmente mudos. Um gesto raro de empatia.
Quando decidem falar, eles falam o que a maioria das pessoas falam, inclusive crentes. Para todos, a equação continua simples: dor é sentença (punição, juízo divino); a prosperidade é recompensa.

- Será que os discursos dos amigos de Jó lhe trouxeram consolo?

Jó 19:2 | ARA
² Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras?
Jó, cada vez mais isolado, insiste em que Deus lhe dê audiência.

Que lições podemos aprender através da crise de Jó para que a nossa fé não venha desfalecer?

1- A PRIMEIRA LIÇÃO DE JÓ É A LIBERDADE DE LAMENTAR SEM PERDER O VÍNCULO COM DEUS.

O livro inteiro prova que orações podem nascer em forma de queixa, perguntas podem ser dirigidas ao céu sem que isso anule a reverência.

A oração toma a forma de queixa, mas ainda é oração.
O desabafo é, portanto, ato de fé!

Precisamos crer que Deus suporta a honestidade das nossas perguntas e é suficientemente bom para ouvir o que nenhum outro ouvinte suportaria. Se o lamento e a queixa eram permitidos ao homem que Deus chamou de “servo fiel”, também é permitido a você.

2- A SEGUNDA LIÇÃO DE JÓ É RECONHECER O LIMITE DA PRÓPRIA PERSPECTIVA.

O silêncio divino que cercava cada noite de Jó termina com o estalo de um trovão.

“Então o Senhor respondeu a Jó do meio de um redemoinho” (Jó 38.1).

Não chega um anjo, não aparece uma tábua de explicações; vem um turbilhão, o tipo de vento que varre as certezas e obriga o coração a prestar atenção.
O interessante aqui é que Deus não responde, mas pergunta: (Ler do verso 4 ao 10)

Jó 38:4-10 | ARA
⁴ Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento.
⁵ Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
⁶ Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular,
⁷ quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?
⁸ Ou quem encerrou o mar com portas, quando irrompeu da madre;
⁹ quando eu lhe pus as nuvens por vestidura e a escuridão por fraldas?
¹⁰ Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus ferrolhos e portas,

Até o final deste capítulo Deus continua perguntando a Jó. Cada pergunta desmonta a ilusão de que o universo se encaixa em esquemas humanos.
Jó não é humilhado pelo sarcasmo de Deus, mas pela vastidão: descobre-se minúsculo diante de um Deus que governa o universo!

As perguntas de Deus no redemoinho deslocam o olhar de Jó do micro para o macro, da ferida imediata para o vasto tecido da criação.

Deus não minimiza a dor dele; mostra apenas que existe um horizonte maior do que a sua dor. A dor pessoal não some, mas agora existe dentro dele um quadro que ultrapassa suas fronteiras.
Na verdade Deus não explicou o sofrimento; mas, revelou-Se maior que ele.
 
3- A TERCEIRA A LIÇÃO DE JÓ É QUE A RESTAURAÇÃO INTERNA COMEÇA ANTES DE QUALQUER MUDANÇA EXTERNA.

A cura de Jó tem início no encontro com Deus, não na resposta às suas perguntas.
A virada não está no recebimento de respostas, mas no encontro com alguém que transforma o coração antes de transformar as circunstâncias. O Deus que parecia ausente mostra-Se presente de modo avassalador, e a fé, que começou ferida, termina vendo.

Jó 42:1-6| ARA
¹ Então, respondeu Jó ao Senhor:
² Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
³ Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
⁴ Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
⁵ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.
⁶ Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

Quando Jó confessa — “Eu Te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos Te veem” (Jó 42.5) — não está dizendo que antes ignorava Deus, e sim que a relação dele com o Altíssimo até aquele momento eram superficiais.
Deus responde ao sofrimento não primariamente com teoria, mas com manifestação da sua presença.

Portanto, a pergunta que fica não é “Por que sofro?”, mas “Quem me acompanha no sofrimento?”. A mesma voz que falou do redemoinho agora fala por meio do Espírito (Rm 8.26-27) e afirma que nada — nem morte nem vida, nem presente nem futuro — pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.38-39).
Caminhar com essa certeza não anula o luto; transforma-o em semente de esperança.

CONCLUSÃO: A cura de Jó tem início no encontro – não na resposta – e se aprofunda quando ele ora pelos amigos que o feriram.

Jó 42:10
¹⁰ Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.
Nas horas mais áridas, o ato de interceder por alguém, de estender cuidado mesmo ferido, pode abrir fendas por onde a graça volta a circular. Nem sempre virão explicações. Mas a presença de Deus, quando percebida, basta para sustentar passos que pareciam impossíveis.

Oração:
Pai, há momentos em que o peso do que perdemos é maior que as palavras disponíveis. Levamos-Te agora esse silêncio doído — tão parecido com o de Jó — e o colocamos aos Teus pés.
Tu és o Deus que acolhe perguntas sem pressa de respondê-las, o Deus que se aproxima no redemoinho e transforma a nossa visão antes de transformar a situação.
Que o encontro contigo seja maior do que a explicação que desejamos. Renova-nos a capacidade de confiar na Tua bondade quando a matemática da existência não fecha; faz brotar em nós aquela fé que sabe esperar até que os Teus caminhos, por fim, se revelem.
 
Em nome de Jesus.
 
 
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO

 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

DECISÕES QUE MOLDAM NOSSO DESTINO. (3ª Parte)


Texto:
Gênesis 13:1-13 
1 Saiu, pois, Abrão do Egito para o Neguebe, ele e sua mulher e tudo o que tinha, e Ló com ele.
2 Era Abrão muito rico; possuía gado, prata e ouro.
3 Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai,
4 até ao lugar do altar, que outrora tinha feito; e aí Abrão invocou o nome do Senhor.
5 Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas.
6 E a terra não podia sustentá-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro.
7 Houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló. Nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra.
8 Disse Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados.
9 Acaso, não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda.
10 Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem-regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar.
11 Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro.
12 Habitou Abrão na terra de Canaã; e Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma.
13 Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.
 
Introdução: Graça e Paz irmãos, hoje entramos em nossa terceira ministração sobre AS DECISÕES QUE MOLDAM O NOSSO DESTINO.
 
1ª Parte - Na primeira parte desta série nosso personagem principal foi o Profeta Daniel. Com ele aprendemos que suas decisões foram marcadas por seu Caráter, sua Disciplina e sua Fidelidade a Deus.
 
2ª Parte - Na segunda parte desta série nosso personagem principal foi Moisés. Com ele aprendemos que as suas decisões marcadas por renúncia, sofrimento e coragem.
 
Hoje eu quero falar de dois personagens; Abraão, conhecido como o Pai da Fé e o seu sobrinho Ló.
 
Abraão é mencionado pela primeira vez na Bíblia no capítulo onze do livro de Gênesis. E o seu chamado está registrado em Gênesis 12.
 
E Deus disse a Abrão: “Sai da tua casa, da tua parentela para a terra que te mostrarei” Gn 12:1
 
Hebreus 11:8 | ARA – Nos fala que Abraão obedeceu ao chamado de Deus pela fé, partindo de sua terra sem saber aonde ia.
 
⁸ Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia.
 
Ao partir de sua terra natal, Abraão levou consigo sua esposa Sara, seu sobrinho Ló e todos os bens que haviam adquirido em Harã. Ele tinha 75 anos de idade, quando partiu em direção à terra de Canaã, respondendo ao chamado divino.
A princípio, a ordem de Deus para Abraão incluía deixar a sua parentela. No entanto, a decisão de Abraão de levar o sobrinho consigo é vista na Bíblia como uma atitude de proteção e responsabilidade familiar, tendo em vista que o Pai de Ló havia morrido.  Após a chamada de Abraão e sua jornada para Canaã, ele se tornou um homem muito rico, possuindo rebanhos, servos e propriedades. Essa riqueza não era apenas um sinal de sucesso material, mas também um testemunho da fidelidade de Deus em cumprir Suas promessas a Abraão. Ló, sobrinho de Abraão, também prosperou ao lado de seu tio. Ele acompanhou Abraão em sua jornada e, como resultado, também acumulou riquezas. A presença de Ló na vida de Abraão é significativa, pois ele se beneficiou da bênção que estava sobre seu tio. No entanto, a prosperidade de Ló também traz à tona questões sobre a natureza da riqueza e como ela pode afetar relacionamentos. À medida que os rebanhos de Abraão e Ló cresceram, surgiram conflitos entre os pastores de ambos. Essa situação destaca um aspecto importante da riqueza: A riqueza pode trazer bênçãos, mas, também pode gerar tensões e disputas.
 
O texto nos ensina que diante de um conflito que envolve dinheiro nem todos tomam decisões com sabedoria e que a avareza (o amor ao dinheiro) pode levar a desentendimentos entre aqueles que deveriam estar em harmonia. No entanto, Abraão toma uma sábia decisão para resolver a questão: Diante deste conflito, (versículo 8) Abrão disse a Ló: “Não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados”.
 
E no versículo 9 Abraão entende que a separação entre eles neste caso se tornou necessária para se preservar a paz.  Abrão, em vez de disputar privilégios, ofereceu a Ló a primeira escolha. Isso revela maturidade e sabedoria.
 
9 Acaso, não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda.
 
O que a atitude de Abrão ensina?
 
1- DECISÕES SÁBIAS SEMPRE LEVA EM CONTA A BUSCA PELA PAZ!
Abraão assume papel de pacificador e se separa do sobrinho.
 
Em 1 Pedro 3.11 temos uma importante advertência sobre essa decisão de buscar a Paz: “Busque a paz e empenhe-se por alcançá-la” [Não apenas deseje ter um relacionamento pacífico com os homens, antes, porém busque, persiga isto!]”.
 
Devemos entender que a paz com as pessoas em certos momentos, não é fácil e nem automática. Por isso a Palavra nos exorta a busca-la, e isso exigirá de nós muito esforço e empenho pessoal. Essa situação levou Abraão a perceber que a harmonia e a paz eram mais importantes do que a proximidade física.
A separação de Abraão e Ló também nos ensina que, às vezes, a melhor solução para um conflito pode ser a distância. Embora a separação possa ser difícil, ela pode ser necessária para preservar a paz e a integridade dos relacionamentos.
 
Essa atitude não apenas reflete a natureza altruísta de Abraão, mas também sua confiança em Deus para a sua provisão.
 
Ele escolheu abrir mão do direito de prioridade porque confiava no Deus da promessa.
 
No relato da separação entre Ló e Abrão, vemos dois modos de decidir. Abraão escolheu pela paz, pela aliança e pela confiança em Deus.
 
E qual foi a decisão de Ló? Ló viu uma terra fértil. Isso parecia uma decisão excelente e que precisava ser tomada na hora para não se perder uma “grande oportunidade”  
 
10 Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem-regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar.
11 Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro.
12 Habitou Abrão na terra de Canaã; e Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma.
13 Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.
 
Aqui temos outra lição sobre decisões:
 
2- DECISÕES PRECIPITADAS NÃO LEVAM EM CONTA OS RISCOS.
 
O contraste entre a decisão de Abraão e de Ló é forte:
- Ló decide pela vantagem; Abrão decide pela paz.
- Ló age com base no que vê. Abrão age com base no que crê.
- A história não é apenas sobre geografia; é sobre caráter.
 
A- LÓ NÃO LEVOU EM CONTA O RISCO DE AGIR APRESSADAMENTE.
 
- O Que a Pressa Revela Sobre o Coração? Impulso, medo e autossuficiência
 
Quase nunca escolhemos apressadamente do nada. Por trás da pressa pode haver medo de perder, desejo de controlar ou impaciência com o tempo de Deus.
Quando o coração quer mandar antes de ouvir, a alma fica vulnerável. A pressa tenta encurtar o processo de discernimento, mas o processo existe justamente para proteger a vida de erros desnecessários.
As escolhas precipitadas costumam nascer desse mesmo impulso: “isso me parece bom agora”. Só que a aparência nem sempre revela o destino. Há caminhos que brilham no início e ferem no final.
- Provérbios 14.12 nos lembra que “há caminho que parece direito, mas termina em morte”. “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado.” — Pv 19.2 (ARA)
 
B- LÓ NÃO LEVOU EM CONTA O RISCO DO GANHO IMEDIATO.
 
Ló viu uma terra fértil. Isso parecia excelente. Mas a narrativa mostra que a região escolhida o aproximou de Sodoma, um ambiente moralmente corrupto (Gn 13.12-13). A lição é clara: fertilidade econômica não substitui saúde espiritual.
 
Muitas decisões parecem boas porque resolvem um problema visível, mas criam outros mais profundos. Nem sempre o que aumenta conforto aumenta vida. Nem sempre o que amplia recursos fortalece a alma.
 
A decisão de Ló o colocou perto demais de um contexto corrosivo. A Bíblia não diz que ele acordou perverso de um dia para o outro. O processo foi gradual. Pequenas aproximações com um ambiente perverso, podem terminar em grandes concessões. Isso vale para amizades, hábitos, negócios e entretenimento. Nem todo lugar ou relação é igualmente seguro para a fé. A prudência também pergunta: “para onde essa escolha me leva, pouco a pouco?”
 
“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” — Mt 7.24 (ARA)
 
A narrativa de Gênesis não termina na planície bonita. Ela avança para crises, perdas e destruição em Sodoma.
 
CONCLUSÃO:  Duas coisas fizeram parte da vida de Abraão em toda sua trajetória rumo à terra prometida: O Altar e a Tenda.
 
Por onde ele passava erguia um altar ao Senhor- significando uma conexão com o Senhor; uma vida de comunhão e adoração àquele que o chamou para um propósito.
 
- O Altar reflete a sede de Abraão se relacionar com este Deus que o chamou para andar com ele.  Mas ele erguia também uma tenda para habitar. A tenda testificava que ele não pertencia a este mundo, mas vivia uma vida de peregrino na terra.
 
- Tenda traz uma conotação de transitoriedade, de morada não fixa, de quem está de passagem por este mundo e tem plena consciência disso. Somos peregrinos. Em todas as nossas decisões precisamos ter a clareza de que ainda não estamos em casa. Como Abraão, também somos peregrinos nesta terra.
 
⁹ Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa;
¹⁰ porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador.
 
Hebreus 11:9,10 | ARA
Bíblia Online
 
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO
 
 
 
 
 

DECISÕES QUE MOLDAM NOSSO DESTINO. (2ª Parte)




Texto
: Hebreus 11:23-27 | ARA
²³ Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei.
²⁴ Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
²⁵ preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado;
²⁶ porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.
²⁷ Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.
 
Introdução: Essa é a segunda ministração da nossa série DECISÕES QUE MOLDAM O NOSSO DESTINO. Só para lembrarmos, na semana passada, partimos de três premissas sobre decisões que são a base deste assunto:
 
1ª Todos nós como cristãos, precisamos tomar decisões alinhadas com a vontade de Deus. A Vontade de Deus é expressa pelas Escrituras Sagradas.
 
2 Timóteo 3:16,17 | ARA
⁶ Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,
¹⁷ a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.
 
Muitas pessoas procuram sinais extraordinários enquanto ignoram as orientações bíblicas já estabelecidas.  Se uma decisão contradiz os ensinamentos bíblicos, não pode ser a vontade de Deus. O Senhor não se contradiz. Ele nunca direciona alguém a agir contra Seus próprios princípios.
 
2ª Em todas as áreas, nossas decisões vão ditar se estaremos desfrutando das promessas de Deus ou não.  Decisões erradas podem tirar você do caminho planejado por Deus para você e te privar de desfrutar das promessas de Deus.
 
Salmo 81:13-16 | ARA
13 Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!
14 Eu, de pronto, lhe abateria o inimigo e deitaria mão contra os seus adversários.
15 Os que aborrecem ao Senhor se lhe submeteriam, e isto duraria para sempre.
16 Eu o sustentaria com o trigo mais fino e o saciaria com o mel que escorre da rocha.
 
3ª Decisões funcionam como uma semeadura: Cada escolha diária funciona, por menor que pareça como uma semente e direciona o teu futuro.
 
Gálatas 6:7,8 | ARA
⁷ Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.
⁸ Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.
 
Na semana passada falamos sobre as três decisões de Daniel que moldaram o seu destino: São elas: 1- DANIEL ESCOLHEU CARÁTER ACIMA DO CONFORTO; 2- DANIEL ESCOLHEU A DISCIPLINA ACIMA DA DESORDEM e 3- DANIEL ESCOLHEU A FIDELIDADE ACIMA DA FACILIDADE.
 
Hoje vamos usar como referência a vida de Moisés. Vamos ler novamente o texto de Hebreus 11:23-27?
 
²³ Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei.
²⁴ Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
²⁵ preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado;
²⁶ porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.
²⁷ Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.
 
Acredito que a maioria de nós já ouviu ou leu sobre a história de Moisés na bíblia. 
Moisés nasceu numa época em que os hebreus eram mantidos escravos no Egito; e sob o temor do crescimento do povo hebreu, o faraó ordenou que toda criança do sexo masculino deveria ser sacrificada. As parteiras hebreias não obedeceram a ordem de Faraó, então ele deu ordem a todo povo que jogassem os meninos no rio Nilo. (Êxodo 1:22) Todavia, os pais de Moisés desafiaram esse decreto e esconderam o menino. Mais tarde, eles o colocaram no rio dentro de um cesto de junco vedado com piche (Êxodo 2:3).
Quando a filha de Faraó foi ao rio se banhar, viu o cesto que flutuava e se afeiçoou ao menino. A irmã de Moisés que vigiava o cesto, Miriã, viu quando a princesa o pegou. Então rapidamente ela se ofereceu para arrumar alguém que pudesse criá-lo como ama. Nesse caso, a mulher escolhida foi sua própria mãe biológica.
Quando o menino alcançou certa idade, ele foi levado à filha de Faraó, e passou a viver na corte egípcia. Não se sabe muita coisa sobre como foi a vida de Moisés na corte egípcia. Tudo o que se sabe é que a partir de então, ele foi “instruído em toda a ciência dos egípcios” (Atos 7:22).
 
Voltando ao texto de Hebreus 11:23 diz a Palavra: ²³ Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei.
 
Perceba no texto que tanto a decisão dos Pais de Moisés de ocultá-lo, como mais tarde, do próprio Moisés, não foram tomadas pela razão ou pelas emoções, mas envolveu a fé.
 
A FÉ DEVE SE SOBREPOR À RAZÃO E A EMOÇÃO. Isso porque a fé inclui Deus e o coloca no comando da nossa história. Porém, a razão e a emoção, normalmente exclui o Senhor e nos coloca no controle, podendo gerar consequências terríveis, sobretudo quando envolve o plano que Deus tem pra nós.
 
Moisés mesmo quando crescido, antes de agir por fé, tomou uma decisão baseada nas suas emoções.
 
A Bíblia diz que Moisés passou a observar a forma como seus irmãos hebreus eram tratados pelos egípcios, testemunhando um homem ferindo um israelita, o que provocou uma indignação incontrolável, levando Moisés a matar o egípcio.Moisés tentou certificar-se que ninguém iria testemunhar o crime que estava prestes a cometer. A Palavra de Deus diz: “E olhou a um e a outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia” (Êxodo 2.12).
 
Quando Moisés cometeu aquele crime, acreditava estar fazendo o que era certo, o que era justo. Mas não é correto tentar solucionar um problema ignorando os mandamentos de Deus. O fato é que Moisés não orou antes de agir, não buscou uma orientação divina, mas se utilizou da sua própria força movido por suas emoções.
Moisés fugiu do Egito, deixando uma alta posição na sociedade, para ir habitar em Midiã. Porém, Deus queria dar a Moisés uma nova oportunidade para servi-lo, desta vez trabalhando como pastor de ovelhas no sol escaldante do deserto. Pois o deserto é o lugar onde Deus trabalha para nos preparar para sua grande obra. Ali no deserto Moisés foi treinado por Deus para tomar as decisões que honraria o nome do Senhor.
 
Mas o que eu quero destacar nesta palavra é a maneira como Moisés lidou com o seu passado, como ele deixou os tesouros do Egito para viver o propósito de Deus para ele. 
 
1-   MOISÉS RECUSOU SER CHAMADO FILHO DA FILHA DE FARAÓ
24 “Pela fé, Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha do faraó”
 
Assim como ocorreu com Moisés se quisermos vencer o nosso passado de traumas e pecados, devemos também ter uma recusa radical.
-"recusou". Isso literalmente significa "repudiar", “abandonar”
 
A questão da recusa de Moisés estava ligada à sua identidade. A sua identidade determina quem você é, o que envolve muitos aspectos da sua vida, como a forma de agir e gostos pessoais. Envolve características fisiológicas, psicológicas, valores éticos e morais, os quais nos tornam seres únicos. Na doutrina cristã, nossa identidade diz respeito aquilo que nos tornamos pela fé em Cristo Jesus!
 
“O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus”.     (Romanos 8.16).
 
Uma das piores coisas que Adão e Eva fizeram foi esquecer tudo o que eles eram em Deus! Nós precisamos todos os dias nos lembrar do que somes em Cristo! Filhos de Deus!!  Creio que Moisés deve ter pensado: “Quem sou eu realmente? Sou um escravo hebreu? Ou sou um membro da família real egípcia?
A recusa de Moisés era enorme, pois segundo alguns estudiosos, ele seria um provável substituto de Faraó no Egito, ainda que filho adotivo da filha de Faraó.
Sucesso é ser o que Deus me fez para ser. Ser o que Deus fez-me para ser, não tentar ser alguém que não sou.
 
2-   MOISÉS ESCOLHEU SER MALTRATADO COM O POVO DE DEUS
25 “preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a aproveitar os prazeres transitórios do pecado”.
Eu li uma frase do reverendo Hernandes Dias Lopes essa semana que reflete bem esta questão: A Frase é: A AMIZADE DO MUNDO É PIOR DO QUE A PERSEGUIÇÃO DO MUNDO.
A atitude de Moisés foi a de preferir ser perseguido pelos poderes do Egito junto com o povo de Deus, do que ser amigo e desfrutar dos prazeres transitórios do pecado.
Então refleti: O que tenho preferido? A amizade do mundo ou a perseguição do mundo?
 
“Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”  Tiago 4:4
 
Sua motivação para a sua escolha está no verso 26: “Considerou melhor sofrer por causa do Cristo do que possuir os tesouros do Egito, pois tinha em vista sua grande recompensa”.
Moisés passou muitos anos da sua vida sendo estimulado a adquirir os valores da cultura egípcia. A visão de mundo a que estava acostumado oferecia acesso aos melhores desfrutes que sua era poderia oferecer. O poder que possuía era o “passaporte” para uma vida que invejaria os maiores bilionários de nossa época.
No entanto, entendeu que tudo aquilo era apenas uma ilusão. Ainda que tenha tido muitas possibilidades, compreendeu que aquela “alegria” seria pequena e passageira e que existia algo melhor.
3-   MOISÉS SAIU DO EGITO CORAJOSAMENTE SEM VACILAR
27a “Pela fé, saiu do Egito sem medo da ira do rei e prosseguiu sem vacilar, como quem vê aquele que é invisível”.
 
Na primeira parte deste versículo diz a Palavra: “Pela fé ele saiu do Egito sem medo da ira do rei”. 
A sua saída do Egito se tornou possível devido a sua coragem! Moisés foi escolhido por Deus para tirar os israelitas da terra do Egito. No início, ele estava hesitante em fazer isso, mas ele enfrentou seus medos!
Coragem segundo o dicionário significa, bravura; intrepidez ;moral forte perante o perigo ;ou ainda firmeza de espírito para enfrentar situação emocional ou moralmente difícil”.¹
 
Alguns motivos pelas quais precisou coragem para ele tirar o povo do Egito:
 
Moisés não aspirava liderar. Algumas pessoas são líderes naturais. Outros simplesmente querem liderar. Moisés não era assim. Quando Deus o chamou para liderar, ele tentou inventar desculpas para não ter que fazê-lo. Ele se via incapaz de enfrentar Faraó (Êxodo 3:11). Temia que os israelitas não o escutassem (Êxodo 4:1). Ele afirmou ser um orador pobre (Êxodo 4:10). Finalmente ele disse: " Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim.” Êxodo 4:13
 
O povo era difícil de se conduzir. Quando Faraó os perseguiu, eles disseram: "Foi porque não havia sepulcros no Egito que de lá nos tiraste para morrermos neste deserto? Por que nos fizeste isto, tirando-nos do Egito? Não é isto o que te dissemos no Egito: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto" (Êxodo 14:11-12) Em vários momentos da jornada rumo a terra prometida esse povo agiu assim.
 
Moisés teve de guiar o povo sem conforto, segurança e prosperidade. Moisés estava tirando-os da escravidão para um estado de liberdade e bênçãos de Deus. Isso pode parecer que não seria difícil convencer as pessoas a seguir para isso, mas foi. Sabe porquê?
 
As pessoas muitas vezes aceitam a opressão e a escravidão se essa lhes permite vantagens e prazeres pessoais. Foi o que aconteceu com os israelitas. Apesar de serem duramente oprimidos pelo Faraó, preferiram "servir os egípcios" (Êxodo 14: 2), se isso significava que eles podiam comer "pão em abundância" (Êxodo 16:3, Números 11:4-6).
 
O combustível para que Moises demonstrasse tanta coragem está na segunda parte deste versículo: O versículo ainda diz: 27b “e prosseguiu sem vacilar, como quem vê aquele que é invisível”. Chamo este versículo de “o combustível de Fé” Uma fé que nos faz prosseguir sem vacilar, como quem vê aquele que é invisível.
 
Você sabe como Moisés desenvolveu essa fé como quem vê aquele que é invisível? R: Moisés a desenvolveu no deserto.
 
Depois de uma experiência desastrosa de assassinato de um Egípcio relatada em Êxodo 2:15, Moisés vai para o deserto de Midiã. “Informado desse caso, procurou Faraó matar a Moisés; porém Moisés fugiu da presença de Faraó e se deteve na terra de Midiã; e assentou-se junto a um poço.” Êxodo 2:15
 
Ele ficou no deserto por quarenta anos. Distante das riquezas do Egito, seus companheiros eram ovelhas durante o dia, e estrelas à noite. Por fim, ele sobreviveu aos quarenta anos difíceis confiando em Deus.
Para que Moisés pudesse aprender essa lição valiosa foi necessário que passasse pela escola do deserto. Havia nele confiança demais em sua própria força, o que o desqualificava para servir aos propósitos do Senhor.
 
É ali no deserto de Midiã que Moisés tem a sua experiência com Deus!
 
“Uma fé que vê o invisível não se move pelas circunstâncias, mas pelas promessas de Deus.”
 
À semelhança de Moisés e do povo hebreu, Deus não se esqueceu de nós!
 
CONCLUSÃO: Não sei como você tem vivido neste tempo, se tem experimentado o propósito de Deus ou se tem estado preso ao seu passado. Mas uma coisa posso lhe afirmar com certeza, Deus nos dá sempre a oportunidade de vivermos o novo Dele. Se Deus perdoa e esquece de nosso passado e nos purifica com o precioso sangue de Jesus, porque ficar preso a ele? O teu passado você não pode mudar, mas o teu futuro é uma página em branco que Deus quer escrever! Avance para o futuro, deixando o passado!
 
 
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO