segunda-feira, 7 de setembro de 2026

SÉRIE: QUANDO A FÉ ENTRA EM CRISE. 4ª Parte


A Crise de Paulo- Quando se perde as forças à sombra da morte.
 
Texto:  2 Coríntios 1:8-11
 
⁸ Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida.
⁹ Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos;
¹⁰ o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos,
¹¹ ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.
 
Introdução: Graça e Paz irmãos! Hoje é a nossa última ministração da Série “Quando a Fé entra em Crise”. Nos domingos anteriores falamos das crises que abalaram a fé de Jó, Jeremias e de João Batista; hoje eu quero falar sobre Paulo, quando ele perdeu suas forças à sombra da morte.
 
Poucos cristãos do primeiro século acumularam tanta experiência ministerial quanto Paulo. Ele já havia percorrido quase quinze mil quilômetros em viagens missionárias, onde havia plantado várias igrejas.
 
Em Atenas ele debatia com os filósofos gregos. E em Filipos, Jerusalém e Roma, Paulo enfrentou a prisão. O nível de tribulação que ele enfrentou para proclamar o evangelho e ao mesmo tempo orientar a igreja contra os falsos mestres, foi tão intensa que ele no versículo 8 ele diz que “...a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida”.
 
Nesse contexto, a expressão “acima das forças” não é figura de retórica. O verbo grego indica esmagamento, como peso que excede a resistência de uma viga.
 
Paralelamente, chegavam notícias de Corinto que misturavam divisões internas, pecados de imoralidade e questionamentos sobre a sua autoridade apostólica.
 
Enquanto lidava com a perseguição externa, Paulo precisava recompor a relação com uma igreja que ele mesmo fundara, mas que agora flertava com falsos mestres.
 
Além das tensões externas e internas, a sua saúde física também foi afetada. Ele menciona no versículo 9 ter uma “sentença de morte”, expressão que muitos comentaristas associam a enfermidade grave contraída na Ásia Menor.
 
Com toda essa bagagem de sofrimento, Paulo a reconheceu que suas próprias forças haviam acabado. Essa sucessão de eventos significa que a crise que enfrentou não resultou de um único golpe. Diante destes acontecimentos Paulo confessa ter perdido a esperança da própria vida.
 
Em síntese, a crise de Paulo é tão intensa com a combinação de três fatores:
(1) perseguição, (2) tensões doutrinárias e relacionais em Corinto, e (3) uma enfermidade debilitante.
 
Nenhum desses agentes, isoladamente, seria inédito para Paulo; juntos, porém, superaram tudo o que ele havia experimentado até então.
 
Quais as lições que podemos aprender com as crises de Paulo?
 
1- PRECISAMOS TER A CONSCIÊNCIA DE NOSSA VULNERABILIDADE.
⁸ Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida.
 
Paulo tinha consciência de sua própria vulnerabilidade. E essa consciência não podia simplesmente ser ignorada pela Igreja.
 
Reconhecer suas fraquezas e limitações não era um sinal de fracasso, mas sim o fundamento de sua força espiritual e de seu ministério.
 
Em vez de esconder suas fraquezas, Paulo as expunha e as abraçava, pois entendia que a fragilidade humana era o cenário perfeito para a manifestação do poder de Deus.
 
Em 2 Coríntios 4:7, ele usa uma metáfora poderosa para descrever a fragilidade humana dos apóstolos em contraste com a mensagem que carregavam: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós."
 
Os vasos de barro na Antiguidade eram comuns, baratos e facilmente quebráveis. Paulo reconhecia que ele e seus companheiros eram frágeis e imperfeitos, mas que essa própria fragilidade garantia que toda a glória pelo sucesso da sua missão pertencesse a somente a Deus, e não a inteligência ou à força humana.
 
Esse nível de exposição é raro em documentos do mundo antigo, pois líderes geralmente buscavam manter aparência de autocontrole.
 
Em muitos contextos, vulnerabilidade é vista como fraqueza. Existe uma pressão constante para parecermos fortes, resolvidos e inabaláveis. Admitir limites, dores ou inseguranças pode parecer arriscado.
 
Por isso, muitos escondem o que sentem. Criam uma imagem de controle enquanto, por dentro, enfrentam lutas silenciosas. Esse esforço para sustentar uma aparência acaba gerando cansaço e isolamento.
 
Quando você admite suas fraquezas, abre espaço para a ação de Deus. A vulnerabilidade não te diminui, ela te conecta com a graça e o poder de Deus.
 
O relato mais marcante dessa conexão da fraqueza com a graça está em 2 Coríntios 12:7-10. Paulo menciona que, para não se ensoberbecer com a grandeza das revelações que recebeu, foi-lhe dado um "espinho na carne".
 
Embora a natureza exata desse espinho seja debatida (uma doença física, perseguição ou uma tentação constante), a resposta que ele recebeu de Deus moldou sua visão sobre a vulnerabilidade:
 
2 Coríntios 12:9 | ARA
 
⁹ Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.
 
Em resumo, a consciência que Paulo tinha de sua vulnerabilidade o protegia do orgulho, aprofundava sua empatia pelas outras pessoas e o mantinha em um estado de total dependência de Deus.
 
2- PRECISAMOS EXPERIMENTAR UMA DEPENDÊNCIA RADICAL DE DEUS.
⁹ Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos;
 
“Nós nos sentíamos como condenados à morte. Mas isso aconteceu para que aprendêssemos a confiar não em nós mesmos e sim em Deus, que ressuscita os mortos”.
(Nova Tradução na Linguagem de Hoje)
 
O próprio Paulo define o momento vivido como uma “sentença de morte”. A palavra traduzida como “sentença” significa uma resposta judicial ou veredicto. Ele tinha uma expectativa certa de que seria destruído.
 
Aquela expectativa real de morte desmontava completamente a sua autoconfiança.
 
O contraste entre não confiarmos em nós e confiarmos em Deus aponta para uma fé que depende de Deus, não de força própria.
 
A expressão em Deus, que ressuscita os mortos revela o fundamento da confiança: Deus é aquele que tem poder para dar vida, até mesmo onde a morte parece vencer.
 
Como Paulo, nós também precisamos aprender que a verdadeira força não nasce da perfeição, mas de uma dependência plena de Deus.
 
Depender de Deus significa que nenhuma decisão na vida será tomada sem oração e sem averiguar o que Palavra de Deus diz sobre o assunto.
 
2 Coríntios 3:4,5 | ARA
⁴ E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus;
⁵ não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,
 
Em Filipenses 4:13 o apóstolo sintetiza sua total dependência afirmando: "Tudo posso naquele que me fortalece", mostrando que sua estabilidade emocional e espiritual não vinha das circunstâncias externas ou até mesmo de sua cultura apurada, mas do Senhor.
 
É bem possível que neste momento alguns estejam tristes pelo tamanho e pela gravidade de seus sofrimentos. Mas uma coisa é certa!
 
Deus prefere nos ver tristes, mas perto Dele, salvos por Ele, do que rindo, longe de sua presença e eternamente perdidos.
 
1 Pedro 1:6-9 | ARA
⁶ Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações,
⁷ para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;
⁸ a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,
⁹ obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.
 
 
3- PRECISAMOS RESGATAR AS MEMÓRIAS QUE NOS DÃO ESPERANÇA.
¹⁰ o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos,
 
Não apenas aquelas memórias de conquistas e bênçãos que recebemos, mas principalmente dos livramentos que recebemos de Deus!
 
Ao declarar que o Deus que ressuscita os mortos “nos livrou… livra… e ainda nos livrará” Paulo constrói uma perspectiva da esperança em três tempos verbais.
 
O passado confirma a fidelidade, o presente sustenta a caminhada, o futuro permanece aberto à intervenção de Deus.
 
Filipenses 1:6  “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.
 
Paulo combateu o desespero em seu coração lembrando dos livramentos passados e registrando-os por escrito. Em momentos de pressão, a mente concentra-se no que falta e esquece o que Deus já fez.
 
Essa é uma prática de gratidão retrospectiva que nos ajuda a realinhar emoções à realidade da fidelidade divina.
 
Tente listar intervenções específicas que o Senhor já realizou em favor da sua família, carreira ou saúde.
 
4- PRECISAMOS VALORIZAR AS PESSOAS QUE DEUS USA PARA A NOSSA CONSOLAÇÃO.
¹¹ ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.
 
O texto também ensina que Deus frequentemente envia ajuda por meio de pessoas que oram por nós e nos apoiam.
 
Creio também que essa ajuda se refere ao consolo que recebemos através de irmãos!
 
2 Coríntios 1:3,4 | ARA
 
³ Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!
⁴ É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.
 
Mais tarde Paulo em 2 Cor 7:5-7 , diz que o alívio que Paulo recebeu veio junto com a chegada de Tito.
 
2 Coríntios 7:5-7 | ARA
⁵ Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro.
⁶ Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito;
⁷ e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.
 
De forma semelhante, o Senhor pode responder às nossas súplicas com um telefonema inesperado, uma visita, um grupo de irmãos dispostos a ouvir sem julgar.
 
Repare que o apóstolo transforma a própria dor em ministério. Ele se vê consolado para consolar outros.
 
Talvez a causa do seu abatimento ainda não esteja resolvida, mas à medida que recebe consolo, você pode acolher quem vive uma adversidade parecida.
 
Há pessoas que esperam pelo consolo primeiro para consolar outros. Mas eu te digo que consolar é um ato de fé.
 
Em vez de esperar sair totalmente do vale para depois servir, aceite que o consolo de Deus flui mesmo em terrenos onde a aflição ainda não terminou por completo. Você descobrirá que a mão que o levanta é a mesma que capacita a levantar outros.
 
CONCLUSÃO:
 
Precisamos admitir que limitação não é fracasso espiritual; é ponto de partida para dependência mais honesta no Deus que ressuscita os mortos.  Ignorar sinais de exaustão só prolonga o ciclo de autossuficiência que Deus quer substituir por confiança prática na graça.
 
Provérbios 3:5-7 (NVI)
 
“Confie no SENHOR de todo o coração e não se apoie no seu próprio entendimento. Reconheça‑o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao SENHOR e afaste‑se do mal”.

Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO

sábado, 5 de setembro de 2026

SÉRIE: QUANDO A FÉ ENTRA EM CRISE. 3ª Parte


A Crise de João Batista- Quando a Adversidade gera a Dúvida
 
Texto:  Mateus 11:1-6
 1 Ora, tendo acabado Jesus de dar estas instruções a seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.
2 Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe:
3 És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo:
5 os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.
6 E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.
 
Introdução: Graça e Paz irmãos! Hoje é a nossa terceira ministração de nossa série: Quando a Fé entra em Crise.

Na primeira ministração aprendemos através de Jó que a fé pode entrar em crise, quando diante do sofrimento que enfrentamos, não temos respostas imediatas de Deus, parecendo que ele está em silêncio e por isso, indiferente à nossa dor. No entanto, aprendemos com Jó que não podemos perder a nossa conexão com Deus, devemos busca-lo ainda que na forma de lamentos e desabafos e que a sua cura de teve início no encontro com Deus, não na resposta às suas perguntas.

Na segunda ministração aprendemos através do Profeta Jeremias que a crise que enfrentou vinha de um esgotamento físico e emocional de quem carrega uma dura missão. Conhecido como o "profeta chorão", ele enfrentou basicamente três situações que minaram a sua fé: (1) rejeição, (2) solidão (3) e o peso de anunciar um juízo.
No entanto, ele supera esta crise porque a Palavra de Deus ardia como fogo em seu coração. E foi essa Palavra que o sustentou em sua missão. Deus fez o profeta saber que ele estava em no meio de uma corrida e por isso não podemos parar ou retroceder.
 Hoje vamos para o Novo testamento. E o personagem é João Batista.

 Quem era João Batista?

 - João Batista era primo de Jesus. Desde o ventre de sua mãe, era já era cheio do Espírito Santo (Lucas 1:15-17)

 - João Batista foi enviado por Deus para preparar o caminho do Senhor! “E ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados; como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas.” Lucas 3:3 e 4.
 - E quando batizou a Jesus e viu o Espírito Santo descer sobre Ele e ouviu a voz de Deus Pai dizendo: “Este é o meu filho amado em quem me comprazo”

É importante que entendamos amados! João Batista era de origem sacerdotal (cf. Lc 1), mas, nunca exerceu as suas funções (supõe-se mesmo que João opunha-se ao comportamento dos sacerdotes oficiais, visto que vivia afastado do Templo); João Batista também, não foi educado nas escolas dos rabis. A Escola de João Batista foi o deserto. Foi ali que ele se preparou para exercer a sua missão! E a sua mensagem era dura como também era a do profeta Elias. Ele pregava a verdade e apresentava ao povo os mandamentos de Deus, sem jamais temer os homens e sem jamais temer a opinião popular.
Em suas exortações, João Batista repreendeu o tetrarca Herodes Antipas por todas as maldades que havia feito e por causa do seu novo casamento com Herodias, denunciando esta união como ilegítima. Ele disse ao tetrarca:
 
“Não te é lícito ter a mulher de teu irmão.” Marcos 6:18.
 
A acusação de João Batista irritou especialmente a Herodias, que influenciou Herodes Antipas a colocar o mensageiro de Deus na prisão.
Foi no contexto de sua prisão, que João Batista apesar de saber tudo a respeito de Jesus tem uma crise de fé. A dúvida surge em seu coração em meio a adversidade!
Afinal, o que acontecera com o Messias poderoso que ele proclamara? Por que o silêncio de Cristo naquele momento tão crítico?
 
- Possivelmente, João ainda nutria uma expectativa de que o Messias estabeleceria um reino físico, mais imediato, que o libertaria das mãos de Herodes.
- A realidade, porém, mostrou o contrário: Jesus não apareceu para tirá-lo da prisão. Conforme os comentaristas, João Batista ficou preso antes de ser decapitado por um ano. Em meio a essa frustração, João experimentou a dúvida.
 
Provérbios 13:12 | ARA
 
¹² A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida.
 
Isso nos ensina que, por mais fervorosa que seja a nossa fé em momentos de fortes adversidades, podem nos levar a questionamentos profundos.
A dúvida toma conta de seus sentimentos e ele envia alguns de seus discípulos para perguntar a Jesus se Ele era realmente o Messias ou se deveriam esperar outro...
 
Talvez perguntemos: Como João poderia fazer essa pergunta? Já que ele tinha ouvido as histórias de ambos os nascimentos miraculosos e tinha testemunhado sinais divinos quando batizou Jesus?
O senso de ser abandonado na prisão lhe trouxe dúvida emocional. Ele sabia da evidência. Mas a vida não estava saindo como ele esperava.
Além disso, deveria haver um sentimento de injustiça muito forte em seu coração porque João estava na prisão, enquanto que o ímpio rei Herodes continuava a reinar livremente.
 
João Batista ficou em crise quanto àquilo que ele mesmo havia crido e anunciado sobre Jesus ser o Cristo.
 
E com base neste episódio de João Batista vamos aprender algumas lições quando as adversidades também nos levam a duvidar de Deus e seus propósitos em nossa vida!
 
1- QUANDO SURGIREM DÚVIDAS, BUSQUEMOS AS NOSSAS RESPOSTAS EM JESUS! (Mateus 11:2,3)
 
2 Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe:
3 És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?
 
O texto de Mateus nos mostra que as obras que Cristo estava fazendo ecoou na prisão onde João Batista estava. E isso o incomodou muito.
 
Afinal, o que acontecera com o Messias poderoso que ele proclamara? Por que o silêncio de Cristo naquele momento tão crítico?
 
- Como já vimos anteriormente, João ainda nutria uma expectativa de que o Messias estabeleceria um reino físico, mais imediato, que o libertaria das mãos de Herodes.
 
Expectativas frustradas geram dúvidas, mas a dúvida que João tinha era honesta. A sua dúvida não vinha de incredulidade, mas de um entendimento que precisava ser corrigido. João Batista buscou a resposta para a sua fé em crise em Jesus. Ele não tinha como falar pessoalmente ao Senhor, por isto enviou seus discípulos.
Eu acho isto lindo, irmãos: apesar de toda a crise, João não buscou em outras fontes a resposta de seu questionamento. Ele buscou na fonte certa!
 
Queridos irmãos, esta é exatamente a atitude que nunca podemos abandonar.A resposta para as nossas crises não está nas filosofias humanas, não está na política, não está no conhecimento de laboratórios científicos! A resposta é JESUS!
 
1- AOS QUE ESTÃO SEM DIREÇÃO, JESUS É O CAMINHO! (Jo 14:6) “Eu sou o caminho a verdade e a vida”
 
2- AOS QUE ESTÃO NA ESCURIDÃO DA FEITIÇARIA, JESUS É A LUZ DO MUNDO. “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. (João 8:12)
 
3- AOS QUE ESTÃO INSEGUROS, JESUS É A ROCHA! Este Jesus é "a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular”. Atos 4:11
4- AOS QUE ESTÃO SOLITÁRIOS, JESUS É O MELHOR AMIGO! “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer”. (Jo 15:15)
 
5- AOS QUE ESTÃO DESGARRADOS, JESUS É O BOM PASTOR! “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. (Jo 10:11)
 
6- AOS QUE ESTÃO FAMINTOS DE ALMA, JESUS É O PÃO DA VIDA! (Jo 6:35) E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome..”
 
7- AOS QUE ESTÃO EM GUERRAS, JESUS É O PRÍNCIPE DA PAZ!  Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. João 14:27
 
8- AOS QUE TÊM MEDO DA MORTE, JESUS É A RESSURREIÇÃO E A VIDA! “Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” João 11:25,2
 
2- QUANDO SURGIREM DÚVIDAS, PRECISAMOS CORRIGIR AS NOSSAS CONVICÇÕES ESPIRITUAIS. (Mateus 11:4-6)
 
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo:
5 os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.
6 E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.
 
- João Batista ficou tão abatido com a sua situação que ele começou a duvidar da identidade de Jesus como o Messias prometido! Porque ele estava convicto de que Messias iria deter os poderosos romanos pela força.
Existem determinadas convicções espirituais que trazemos em nosso íntimo que não correspondem com aquilo que a Palavra de Deus nos ensina!
Muitas destas convicções são provenientes de nossa religiosidade, da filosofia humana ou de uma interpretação bíblica errada.
Na mente de João Batista, Jesus deveria libertar os judeus do jugo romano. Mas no Plano de Deus, Jesus veio para libertar não apenas o judeu, mas a todos os que creem Nele do jugo do pecado.
Embora Deus não tenha obrigação nenhuma de nos explicar ou de nos dar todas as respostas, João Batista teve uma resposta!
 
4 “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo:”
5 “os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho”.
 
Ao listar curas, libertações e evangelização dos pobres, Jesus mostra a João, que o Reino já opera mesmo quando sistemas opressores continuam ativos.
 
E João entende que os milagres extraordinários que Jesus estava realizando era o cumprimento das profecias do Antigo Testamento! O Reino tão anunciado por João Batista havia se tornado uma realidade concreta.
João Batista foi reconduzido à sua certeza inicial de que Jesus, e nenhum outro, era o Messias prometido!
 
Agora ele podia viver nesta convicção! de que Jesus era o Messias e que a Palavra de Deus se cumpre sempre!
Diante dessa convicção, todos os outros assuntos perderam sua importância, e João conseguiu colocar todas as questões pessoais em segundo plano. Prisão ou palácio, riqueza ou pobreza, agora apenas uma coisa contava: somente Jesus!
 
Jesus fecha esta resposta a João Batista com uma Palavra interessante!
 
“E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço”.
“E, abençoado é aquele que não se escandaliza por minha causa”
NTLH "e felizes são aqueles que não abandonam a sua fé em mim!"
 
CONCLUSÃO:
 
Você já ficou em dúvida ou até decepcionado com Jesus? Já sentiu que ele não correspondeu àquilo que você procurava?
 
Se você quer ser eternamente feliz e abençoado não permita que a revolta tome conta de seu coração e venha minar a tua fé.
 
 
Pr. Gilberto Oliveira Reher
Igreja Metodista Catalão-GO

 

 

 

 

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

SÉRIE: QUANDO A FÉ ENTRA EM CRISE. 2ª Parte


A Crise de Jeremias- Quando as forças se esgotam e as lágrimas não cessam
Texto: Jeremias 12:5; 15:18; 20:09,11.
 
Jeremias 12:5 (ARA)
“Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?”
 
Jeremias 15:18 (RA)
“Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias Tu para mim como um ilusório ribeiro, com águas que enganam?”  - Na NVT diz “como uma fonte que se secou”
 
Jeremias 15:18 (RA)
⁸ Por que, então, continuo a sofrer? Por que minha ferida não tem cura? Teu socorro parece incerto como um riacho inconstante; “NVT-  é como uma fonte que secou".
 
Jeremias 20:9 (RA)
9 Mas, se digo que nunca mais mencionarei o Senhor, nem falarei em seu nome, sua palavra arde como fogo em meu coração; é como fogo em meus ossos. Estou cansado de tentar contê-la; é impossível!
 
Jeremias 20:11 (RA)
¹¹ Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro; por isso, tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão; serão sobremodo envergonhados; e, porque não se houveram sabiamente, sofrerão afronta perpétua, que jamais se esquecerá.
 
 
Introdução: Graça e Paz irmãos! Hoje é a nossa segunda ministração de nossa série: Quando a Fé entra em Crise.
 
Na primeira ministração aprendemos através de Jó que a fé pode entrar em crise, quando diante do sofrimento que enfrentamos, não temos respostas imediatas de Deus, parecendo que ele está em silêncio e por isso, indiferente à nossa dor. No entanto, aprendemos com Jó que não podemos perder a nossa conexão com Deus, devemos busca-lo ainda que na forma de lamentos e desabafos e que a sua cura de teve início no encontro com Deus, não na resposta às suas perguntas.
O nosso personagem de hoje é o Profeta Jeremias. A crise do profeta Jeremias vem de um esgotamento físico e emocional de quem carrega uma dura missão. Conhecido como o "profeta chorão", ele enfrentou basicamente três situações que minaram a sua fé: (1) rejeição, (2) solidão (3) e o peso de anunciar um juízo.
 
O profeta sentindo que suas forças haviam acabado, chegou ao ponto de comparar a Deus à uma fonte que secou.
 
Jeremias 15:18 (RA)
“Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias Tu para mim como um ilusório ribeiro, com águas que enganam?”  - Na NVT diz “como uma fonte que se secou”
 
Jeremias é um profeta atípico. Ele é um profeta que desafia o senso comum sobre o agir de Deus. Sem dúvida alguma, o tratar de Deus em sua vida em muito se assemelha ao da vida de Jó. Por isso ele é conhecido como o profeta chorão não apenas por profetizar um juízo de Deus para um povo de coração duro e que se recusava a se arrepender, mas também por ser o mais rejeitado de todos os profetas do Antigo Testamento!
 
Jeremias, tinha apenas 17 anos quando Deus o chamou. Além disso, ele não encontrou conforto humano. Deus o havia impedido de se casar ou ter filhos (Jeremias 16:2), e seus amigos lhe viraram as costas. Além do fardo de sua missão ele carregava consigo o fardo da solidão. Voltando então ao capítulo 12, Jeremias está em meio a uma de suas crises, mas agora ele chega a questionar a Deus em duas situações:
 
O primeiro questionamento que ele faz é: “... Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?” Jeremias 12:1
 
E ao fazer este questionamento ele deseja realmente a morte destes homens injustos e cruéis (Versículos 2,3)
 
O segundo questionamento que ele faz está no versículo 4: “Até quando estará de luto a terra, e se secará a erva de todo o campo.” Jeremias 12:4
 
Neste segundo questionamento ele não atribui diretamente a Deus a causa destas desgraças, mas ele questiona a duração daquela calamidade.   
 
No verso 4 ele diz: “Por causa da maldade dos que habitam nela, perecem os animais e as aves; porquanto dizem: Ele não verá o nosso fim”. Jeremias 12:4
 
Após apresentar este pequeno resumo sobre o contexto de Jeremias, vamos aprender algumas lições que nos ajudarão a não desistirmos nos momentos de esgotamento e tristeza.
 
1- JEREMIAS NÃO DESISTIU PORQUE O CHAMADO E A PALAVRA DE DEUS O SUSTENTARAM NA MISSÃO: (Jeremias 20:7-9)
 
7 Ó Senhor, tu me constrangeste, e eu me deixei constranger. És mais forte que eu e prevaleceste. Agora, sou motivo de zombaria todos os dias; todos riem de mim.
8 Pois, sempre que abro a boca, é para gritar: “Violência e destruição!”. Essas mensagens do Senhor me transformaram em alvo constante de piadas.
9 Mas, se digo que nunca mais mencionarei o Senhor, nem falarei em seu nome, sua palavra arde como fogo em meu coração; é como fogo em meus ossos. Estou cansado de tentar contê-la; é impossível!
 
Jeremias era um ser humano como nós. Ele tem algumas crises tão severas a ponto de sentir vontade de desistir de seu chamado. Esse desejo de desistir é sintetizado por duas frases que ele disse: (vs.9)
 
“nunca mais mencionarei o Senhor, nem falarei em seu nome,”
 
Mas o seu chamado e a Palavra do Senhor eram como fogo que ardia dentro dele. O profeta era movido pelo fogo da vocação.
 
Nós também precisamos ser movidos por esse fogo que arde em nossos corações, amem!!
 
Eu entendo irmãos que à semelhança de Jeremias nós também recebemos do Senhor uma mensagem impopular que chama as pessoas ao arrependimento e a conversão sincera. E isso pode nos causar também uma grande angústia. O contexto em que vivemos é o mesmo de Jeremias. Um contexto de forte rejeição à Palavra de Deus!
 
2 Timóteo 4:1-5 | ARA
¹ Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino:
² prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.
³ Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;
⁴ e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.
⁵ Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.
 
Todos os crentes receberam um chamado de Deus. Somos parceiros de Deus. Quando Deus nos redimiu, ele também nos chamou para uma tarefa, para uma missão. Todos nós somos chamados para isso. Uma coisa certa! Quando você se decide se envolver com a obra do Senhor, você será tentado a desistir. Lutas virão. Mas nem pessoas, nem o diabo, nem anjo algum, nem você mesmo, podem apagar aquele fogo ardente dentro de você, aquela voz que chama você pelo nome.
 
 
2- JEREMIAS NÃO DESISTIU PORQUE CONFIAVA QUE O SENHOR ESTAVA COM ELE COMO UM PODEROSO GUERREIRO. (Jeremias 20:10,11)
 
¹⁰ Porque ouvi a murmuração de muitos: Há terror por todos os lados! Denunciai, e o denunciaremos! Todos os meus íntimos amigos que aguardam de mim que eu tropece dizem: Bem pode ser que se deixe persuadir; então, prevaleceremos contra ele e dele nos vingaremos.
¹¹ Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro; por isso, tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão; serão sobremodo envergonhados; e, porque não se houveram sabiamente, sofrerão afronta perpétua, que jamais se esquecerá.
 
Esse “mas” do vers. 5, marca o ponto de importante no texto. Nada ocorreu no plano
externo. O povo ainda zomba do Profeta e sua mensagem, o corpo do profeta ainda está dolorido pelas marcas dos açoites.
 
A mudança acontece no eixo da perspectiva. Jeremias recorda quem Deus é, não quem ele próprio sente no momento de sua dor.
 
¹¹ “Mas o Senhor está comigo como um poderoso guerreiro”
 
A palavra “guerreiro” (gibbor) remete à imagem de um campeão que entra na batalha para proteger aliado no seu momento de vulnerabilidade.
 
Você ainda é dominado pelo medo quando surge uma ameaça em sua vida? Você ainda se assusta com as más notícias? Você fica ansioso quando alguém te conta que algo ruim está para acontecer?
 
Todos nós temos esta tendência e caímos nesta armadilha se usarmos demais os nossos olhos naturais.
 
Precisamos usar os olhos da Fé para sabermos que maior é aquele que está em nós, do que aquele que está no mundo!!!
 
  
3- JEREMIAS NÃO DESISTIU PORQUE TRANSFORMOU SUAS ANGÚSTIAS EM LOUVOR AO SENHOR INDEPENDENTE DA SITUAÇÃO DIFÍCIL. (Jeremias 20:12,13)
¹² Tu, pois, ó Senhor dos Exércitos, que provas o justo e esquadrinhas os afetos e o coração, permite veja eu a tua vingança contra eles, pois te confiei a minha causa.
¹³ Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado das mãos dos malfeitores.
 
Este texto é um brado de louvor ao Senhor, porque o Senhor liberta o “necessitado/oprimido” das mãos dos malfeitores.
 
O louvor perfeito brota do coração ferido. Em meio à dor, surge um grito de louvor. É um hino de louvor ao Senhor da obra.
 
Lembremos de Paulo e Silas, presos em Filipos, depois de açoitados, “oravam e cantavam louvores a Deus” (At 16.25).
 
CONCLUSÃO:
 
A resposta do Senhor à angústia de Jeremias no cap. 12:5 foi bastante chocante: Ao invés de simpatizar com sua situação e confortá-lo, o Senhor censurou-o e desafiou-o, a prosseguir dizendo:
 
“Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?” Jeremias 12:5 (ARA)
 
 
Deus fez o profeta saber que ele estava em no meio de uma corrida e por isso não podemos parar ou retroceder. Alguns textos sugerem que Jeremias estava em uma competição.
 
Muitas vezes li este texto e não compreendi. É normal uma competição, de homens contra homens. Mas competir, apostar uma corrida entre um homem e um cavalo?
 
Será que isto é possível? Será que não é uma competição desigual?
 
Sabe o que eu descobri? Que este tipo de competição já existe e possivelmente existia na antiga Babilônia.
 
- Competir com homens que vão a pé, nos fala de uma dimensão terrena desta corrida. De um nível normal de corrida.
- Competir com homens que vão a cavalo nos fala de uma dimensão sobrenatural. Aí é outro nível de corrida. Deus sempre nos levará a um nível sobrenatural de conquistas!
 
O que Deus estava dizendo a Jeremias é que se ele não conseguisse vencer a corrida com os homens (um nível básico de corrida) ele não poderia estar preparado para enfrentar o nível mais difícil que é correr com cavalos.
A grande verdade é que nossa vida também é uma corrida, uma competição. (Hebreus 12:1,2)
 
“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.”.
 
É assim que nós, que fomos chamados, devemos correr a carreira que Deus propôs para nós… sem embaraços, sem peso, sem pecado, sem atrasos, sem mágoas, sem olhar para as circunstâncias, sem ressentimentos, ou qualquer outra coisa do tipo.


Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO

 

 

 


domingo, 23 de agosto de 2026

SÉRIE: QUANDO A FÉ ENTRA EM CRISE (1ª Parte)


 A CRISE DE JÓ: QUANDO VIVER SE TORNA INSUPORTÁVEL
 Textos: Jó 14:7-9; 38:1; 42:1-6,10-12.

 Jó 14:7-9
⁷ Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.
⁸ Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco,
⁹ ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.

 Jó 38:1
¹ Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó:

 Jó 42:1-6,10,12-17
¹ Então, respondeu Jó ao Senhor:
² Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
³ Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
⁴ Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
⁵ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.
⁶ Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
¹⁰ Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.
¹² Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.
¹² Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.
¹³ Também teve outros sete filhos e três filhas.
¹⁴ Chamou o nome da primeira Jemima, o da outra, Quezia, e o da terceira, Quéren-Hapuque.
¹⁵ Em toda aquela terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.
¹⁶ Depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.
¹⁷ Então, morreu Jó, velho e farto de dias.
 
Introdução: Graça e Paz amados! Eu quero iniciar com vocês uma nova série de mensagens que tem como tema principal a FÉ. Mas não vou falar de uma fé que não se abala, pelo contrário, vou falar sobre uma FÉ QUE ENTRA EM CRISE.

Antes de tudo é importante sabermos como a bíblia define a fé:
 Hebreus 11:1 | ARA
¹ Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.

Se a fé tem a ver com certeza de coisas que se esperam, e convicção de fatos que não se veem, quando a nossa fé entra em crise, ela deixa de ser apenas uma certeza automática e se transforma em um profundo questionamento sobre o sentido da vida, o sofrimento ou a presença de Deus.

Quando a nossa fé entra em crise perdemos a convicção dos fatos que não se veem e nos apegamos apenas àquilo que é visível e palpável.

 O que provoca a crise em nossa fé?
·         Dor e sofrimento: A perda de alguém querido, uma doença grave ou injustiças fazem a pessoa questionar a justiça ou o amor divino.
 
·         Silêncio de Deus: A sensação de que as orações não são ouvidas ou respondidas gera um vazio e distanciamento.
 
·         Frustração com instituições: Escândalos ou falhas humanas em comunidades religiosas abalam a confiança naquilo que era visto como exemplo.
 
·         Mudança de visão: Novas descobertas intelectuais ou científicas confrontam ensinamentos rígidos recebidos na infância.

O problema é que muitos de nós costumamos imaginar a vida de fé como ausência de problemas e como um currículo cheio de vitórias compartilhadas nas redes sociais. No entanto quando você lê a bíblia do inicio ao fim você irá se deparar com pessoas de fé que vivenciaram crises reais. Pessoas que chegaram ao desespero, que duvidaram em algum momento das promessas de Deus e outras que foram tentadas a desistir de sua fé. 
  
A Palavra de Deus não apenas reconhece a crise na vida do justo, com também registra suas dores, seus gemidos, lágrimas e perguntas que não encontraram resposta imediata. A Escritura nasce da convicção de que a jornada de fé não contorna o vale; ela o atravessa. Deus se revela em meio à crise, mas nem sempre se explica; Ele se aproxima, mas nem sempre remove de imediato o espinho.

Tendo este contexto em mente, hoje eu quero falar sobre Jó.

“A história do homem de Uz não pretende relativizar sua dor; ela apenas revela que o sofrimento nem sempre é recibo de culpa, nem ausência automática de Deus. Há realidades que não cabem em fórmulas — e isso não invalida a fé, apenas a torna mais honesta”. Escritor Jobe Vieira – Enxertados

Quem era Jó?

Segundo a declaração do próprio Deus Jó era “irrepreensível, íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1).
Ele era também um Pai temente e que exercia um papel de sacerdote do seu lar. Antes do amanhecer, conforme o que diz no vers. 5, ele oferecia sacrifícios em favor dos filhos “pois dizia: ‘Talvez meus filhos tenham pecado…’ ” (1.5)
J
ó também era muito próspero. A prosperidade que desfrutava, rebanhos numerosos, servos leais, dez filhos que celebravam juntos, reforçava a ideia de que a fidelidade sempre desemboca em bênçãos visíveis.

Até que o imprevisível aconteceu. Num único dia, mensageiros sucessivos relataram assaltos, mortes e perda de todos os bens; a última notícia trouxe o luto: um vento do deserto derrubara a casa onde os filhos festejavam, matando cada um deles (1.13-19)

Logo depois, úlceras cobriram o corpo de Jó “da planta do pé ao alto da cabeça” (2.7). Sentado no pó, ele raspou as feridas com um caco de cerâmica; a devoção que antes parecia sólida encontrou o silêncio absoluto do céu.

Por conta de suas perdas ele entra em depressão de tal maneira que ele deseja nem ter nascido: “Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela?” Jó 3.11.

Entender porque Jó desejou a morte é até compreensível diante de um sofrimento intenso e real que ele passou! 

A sua mulher, que também sofria com ele a mesma desventura reage: “Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (2.9).

O isolamento torna-se mais profundo: o companheirismo conjugal, que em outros dias oferecia suporte, agora questiona a viabilidade da fé.

No espaço de pouco tempo, Jó perde trabalho, status, sustento, filhos, saúde e apoio emocional. A narrativa não oferece explicação humana e, até aqui, Deus permanece em silêncioE aí aparecem neste cenário (Jó 2:11)  os amigos de Jó que tentam consolá-lo em sua dor:

Jó 2:11 | ARA
¹¹ Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo.

Conforme o verso 13 eles se sentam com ele em terra e ficam 7 dias e noites totalmente mudos. Um gesto raro de empatia.
Quando decidem falar, eles falam o que a maioria das pessoas falam, inclusive crentes. Para todos, a equação continua simples: dor é sentença (punição, juízo divino); a prosperidade é recompensa.

- Será que os discursos dos amigos de Jó lhe trouxeram consolo?

Jó 19:2 | ARA
² Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras?
Jó, cada vez mais isolado, insiste em que Deus lhe dê audiência.

Que lições podemos aprender através da crise de Jó para que a nossa fé não venha desfalecer?

1- A PRIMEIRA LIÇÃO DE JÓ É A LIBERDADE DE LAMENTAR SEM PERDER O VÍNCULO COM DEUS.

O livro inteiro prova que orações podem nascer em forma de queixa, perguntas podem ser dirigidas ao céu sem que isso anule a reverência.

A oração toma a forma de queixa, mas ainda é oração.
O desabafo é, portanto, ato de fé!

Precisamos crer que Deus suporta a honestidade das nossas perguntas e é suficientemente bom para ouvir o que nenhum outro ouvinte suportaria. Se o lamento e a queixa eram permitidos ao homem que Deus chamou de “servo fiel”, também é permitido a você.

2- A SEGUNDA LIÇÃO DE JÓ É RECONHECER O LIMITE DA PRÓPRIA PERSPECTIVA.

O silêncio divino que cercava cada noite de Jó termina com o estalo de um trovão.

“Então o Senhor respondeu a Jó do meio de um redemoinho” (Jó 38.1).

Não chega um anjo, não aparece uma tábua de explicações; vem um turbilhão, o tipo de vento que varre as certezas e obriga o coração a prestar atenção.
O interessante aqui é que Deus não responde, mas pergunta: (Ler do verso 4 ao 10)

Jó 38:4-10 | ARA
⁴ Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento.
⁵ Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
⁶ Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular,
⁷ quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?
⁸ Ou quem encerrou o mar com portas, quando irrompeu da madre;
⁹ quando eu lhe pus as nuvens por vestidura e a escuridão por fraldas?
¹⁰ Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus ferrolhos e portas,

Até o final deste capítulo Deus continua perguntando a Jó. Cada pergunta desmonta a ilusão de que o universo se encaixa em esquemas humanos.
Jó não é humilhado pelo sarcasmo de Deus, mas pela vastidão: descobre-se minúsculo diante de um Deus que governa o universo!

As perguntas de Deus no redemoinho deslocam o olhar de Jó do micro para o macro, da ferida imediata para o vasto tecido da criação.

Deus não minimiza a dor dele; mostra apenas que existe um horizonte maior do que a sua dor. A dor pessoal não some, mas agora existe dentro dele um quadro que ultrapassa suas fronteiras.
Na verdade Deus não explicou o sofrimento; mas, revelou-Se maior que ele.
 
3- A TERCEIRA A LIÇÃO DE JÓ É QUE A RESTAURAÇÃO INTERNA COMEÇA ANTES DE QUALQUER MUDANÇA EXTERNA.

A cura de Jó tem início no encontro com Deus, não na resposta às suas perguntas.
A virada não está no recebimento de respostas, mas no encontro com alguém que transforma o coração antes de transformar as circunstâncias. O Deus que parecia ausente mostra-Se presente de modo avassalador, e a fé, que começou ferida, termina vendo.

Jó 42:1-6| ARA
¹ Então, respondeu Jó ao Senhor:
² Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
³ Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
⁴ Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
⁵ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.
⁶ Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

Quando Jó confessa — “Eu Te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos Te veem” (Jó 42.5) — não está dizendo que antes ignorava Deus, e sim que a relação dele com o Altíssimo até aquele momento eram superficiais.
Deus responde ao sofrimento não primariamente com teoria, mas com manifestação da sua presença.

Portanto, a pergunta que fica não é “Por que sofro?”, mas “Quem me acompanha no sofrimento?”. A mesma voz que falou do redemoinho agora fala por meio do Espírito (Rm 8.26-27) e afirma que nada — nem morte nem vida, nem presente nem futuro — pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.38-39).
Caminhar com essa certeza não anula o luto; transforma-o em semente de esperança.

CONCLUSÃO: A cura de Jó tem início no encontro – não na resposta – e se aprofunda quando ele ora pelos amigos que o feriram.

Jó 42:10
¹⁰ Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.
Nas horas mais áridas, o ato de interceder por alguém, de estender cuidado mesmo ferido, pode abrir fendas por onde a graça volta a circular. Nem sempre virão explicações. Mas a presença de Deus, quando percebida, basta para sustentar passos que pareciam impossíveis.

Oração:
Pai, há momentos em que o peso do que perdemos é maior que as palavras disponíveis. Levamos-Te agora esse silêncio doído — tão parecido com o de Jó — e o colocamos aos Teus pés.
Tu és o Deus que acolhe perguntas sem pressa de respondê-las, o Deus que se aproxima no redemoinho e transforma a nossa visão antes de transformar a situação.
Que o encontro contigo seja maior do que a explicação que desejamos. Renova-nos a capacidade de confiar na Tua bondade quando a matemática da existência não fecha; faz brotar em nós aquela fé que sabe esperar até que os Teus caminhos, por fim, se revelem.
 
Em nome de Jesus.
 
 
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO