Texto:
Hebreus 12:4-14
⁴ Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes
resistido até ao sangue
⁵ e estais esquecidos da exortação que, como a filhos,
discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem
desmaies quando por ele és reprovado;
⁶ porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo
filho a quem recebe.
⁷ É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como
filhos); pois que filho há que o pai não corrige?
⁸ Mas, se estais sem correção, de que todos se têm
tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos.
⁹ Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne,
que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior
submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?
¹⁰ Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo
melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de
sermos participantes da sua santidade.
¹¹ Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser
motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto
pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.
¹² Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos
trôpegos;
¹³ e fazei caminhos retos para os pés, para que não se
extravie o que é manco; antes, seja curado.
⁴ Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual
ninguém verá o Senhor,
Introdução:
Graça e Paz Povo do Coração Aquecido! Hoje é o encerramento da nossa Campanha
Nacional de Jejum e oração cujo o propósito é o REAVIVAMENTO DA IGREJA
METODISTA em todo Brasil. Neste período de busca e de jejum, refletimos
inicialmente no livro de Neemias e depois no livro de Atos dos apóstolos.
Refletindo
sobre o tema do reavivamento, entendi que os grandes avivamentos que ocorreram
na história da igreja, nasceram em tempos de crise, declínio moral e frieza
espiritual.
Assim
ocorreu com o avivamento metodista. O avivamento metodista, liderado por John
Wesley no século XVIII na Inglaterra, nasceu exatamente em meio a uma profunda
crise espiritual, moral e social.
Naquela
época, a Igreja Anglicana era uma igreja fria e indiferente. Quando João Wesley
que era um pastor Anglicano teve a experiência do coração aquecido, Deus o usou
para trazer um avivamento na Inglaterra que salvou milhares de vidas.
Então eu me
pergunto: será que não precisamos novamente de uma nova experiência de um
coração aquecido?
Com certeza a Igreja Metodista no Brasil necessita hoje
passar pelo reavivamento.
Um certo escritor evangélico, identificou 12 sinais da
frieza espiritual:
1- Desinteresse por ler e estudar a Bíblia.
2- Ausência de momentos de oração individuais e nos
cultos coletivos.
3- Ausência de comunhão com os irmãos, envolvimento em
constante em contentas, etc..
4- Diminuição do desejo de servir a obra de Deus.
5- Abandono das responsabilidades na Igreja, falta de
desejo de testemunhar de Jesus para outros.
6- Desejo de contaminar outros com palavras negativas,
que produzem desânimo e geram conflitos.
7- Tendência de olhar para lideres, pastores e igreja com
maus olhos, ou sempre de forma negativa.
8- Mente cauterizada, que é a situação onde queremos
adaptar a palavra de Deus a nossos gostos pessoais e até aos nossos erros.
9- Viver em pecado, achando que tudo está bem.
10- Com o passar do tempo, falta de desejo de estar nos
cultos.
Diante de tudo
isso, tenha certeza de que o Senhor, não irá nos deixar neste estado. É por
isso que ele permite que passemos por crises.
A crise ocorre por três motivos principais:
1-
Conscientização da necessidade: A crise gera desconforto e evidencia o
estado de frieza espiritual. Apenas uma terra seca clama por chuva.
2-
Reconhecimento da falência humana: Quando as estruturas falham
(políticas, sociais ou eclesiais) e os esforços humanos não bastam, o povo se
volta inteiramente para a dependência divina.
3-
Fervor na busca: O avivamento é sempre precedido por orações intensas. A
aflição transforma o desejo superficial em um clamor contínuo e profundo.
Reavivamento não acontece sem antes passar pelo crivo da
crise, isto é, da decisão de se separar daquilo que lhe tirou do foco inicial
da igreja.
Portanto,
a CRISE antecipa o arrependimento e arrependimento antecipa o AVIVAMENTO.
Se você ler atentamente esse texto de Hebreus verá que
ele fala nobre a disciplina do Senhor sobre os seus filhos. Quando passamos pela disciplina do
Senhor, ela mexe profundamente com nossas estruturas, causando um desconforto
que chamamos de crise.
Essa
crise gerada pelo processo disciplinar divino serve para nos moldar.
Hebreus
12:11 descreve exatamente isso: "Toda disciplina, com efeito, no
momento não parece motivo de alegria, mas de tristeza; depois, porém, produz
fruto pacífico de justiça aos que por ela têm sido exercitados".
É
exatamente nesse momento de correção ou de aperto que somos forçados a olhar
para dentro, abandonar velhos hábitos e alinhar nosso propósito ao que Deus
espera de nós.
Este
texto não fala especificamente de um reavivamento, mas, podemos aplica-lo a nós
como filhos de Deus. É o desconforto que precede o reavivamento.
O
Senhor não corrige seus filhos com o propósito de vê-los sofrer, mas com o propósito
de aperfeiçoá-los em santidade como nos diz o verso 10.
“Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor
lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos
participantes da sua santidade.”
Hebreus 12:10
Se
voltarmos um pouco mais no texto veremos que aqueles cristãos tinham alguns
comportamentos que precisavam mesmo de correção divina. Eles tinham embaraços e
pecados que os impedia de progredir espiritualmente como nos diz Hebreus 12:1.
Se não tiramos os embaraços e pecados de nossa vida,
jamais chegaremos ao reavivamento! É por isso que precisamos da disciplina de
Deus.
A disciplina é o treinamento de Deus. Um sinônimo bíblico de disciplina é a
promoção. Deus nos corrige nos promover, querendo nos empurrar para frente,
para outro nível.
Diante
da disciplina do Senhor podemos ficar muito desanimados e não aprender nada ou
podemos aprender e sermos aperfeiçoados!
Diante
daquilo que foi exposto desejo fazer uma pergunta:
Quais seriam os requisitos para um reavivamento?
1- O RESTABELECIMENTO
DAS MÃOS ENFRAQUECIDAS. (vs. 12ª)
12 “Por isso, restabelecei as mãos descaídas..”
Outras versões bíblicas dizem: mãos cansadas, enfraquecidas.
Com as mãos abençoamos,
oramos, curamos e fazemos o trabalho do Senhor.
Mãos simbolizam tudo o que fazemos para o Senhor
Moisés escreveu um lindo texto sobre as mãos no Salmo
90:7
“Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma
sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos” (Salmos 90.17).
“Que a graça do Senhor, nosso Deus, pouse sobre nós; faze
prosperar as obras das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos!” Versão King James
Observe que o Senhor ordena que as mãos se restabeleçam (que se levante as mãos)
Isso
significa que, um dia, a obra das mãos de um determinado cristão foi forte,
mas, com o passar do tempo pode se enfraquecer ou ficar descaída, cansada.
Paulo,
falando especificamente aos homens em 1 Timóteo 2:8 diz:
⁸
Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos
santas, sem ira e sem animosidade.
Devemos
levantar mãos santas para o Senhor, sem ira e sem inimizade.
2-RESTABELECIMENTO
DOS JOELHOS TRÔPEGOS. (vs. 12b)
Outras
versões: os joelhos
desconjuntados, vacilantes, enfraquecidos
Os Joelhos nos falam de firmeza e força
na oração.
Os joelhos
são o equilíbrio e a sustentação do Corpo de Cristo.
-
É vida de oração (intimidade com Deus, o recurso para todas as áreas).
-
Joelho desconjuntado é alguém que já não ora há muito tempo.
-
Joelho desconjuntado fala de uma pessoa que manca, que se arrasta ou que está
propensa a cair.
A
pessoa de joelhos trôpegos não sustenta sua Comunhão com Deus. E não sustenta
também a Igreja em oração.
Assim
como há terapia de fortalecimento dos joelhos, nós precisamos também exercitar
os nossos joelhos espirituais.
“Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de
quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que,
segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder,
mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso
coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, “ Ef 3.14–17
Obviamente, Paulo não estava de joelhos no momento exato
em que escrevia estas palavras. O que ele estava dizendo é que se quisermos ser
fortalecidos com poder precisamos orar....
Não tenho dúvida de que a Igreja do primeiro século era
uma comunidade de se punha de joelhos.
Com
joelhos dobrados ficamos numa posição de fraqueza e dependência. Se você já
ficou de joelhos percebeu esta realidade.
Os
joelhos dobrados devem ser fruto de uma vida inclinada para fazer toda a
vontade de Deus.
Charles Spurgeon
um grande pregador Britânico do século: XIX, conhecido como: O príncipe dos
pregadores, disse certa vez: Se formos fracos em nossa comunhão com Deus,
seremos fracos em tudo.
3-A
CONSTRUÇÃO DE CAMINHOS RETOS PARA OS PÉS. (vs. 13)
¹³ e fazei caminhos retos para os pés, para que não se
extravie o que é manco; antes, seja curado.
A
palavra “caminhos retos” significa exatamente- caminho estreito.
“Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso,
o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por
ela),porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e
são poucos os que acertam com ela”.
Mateus 7:13,14
O
homem mais sábio do mundo, o rei Salomão, comentou sobre isso: “Há caminho
que ao homem parece direito, mas o fim dele leva à morte” (Provérbios
16:25).
O caminho estreito é um caminho difícil de ser trilhado porque é um caminho
de renúncia de nossa carne.
Em outras palavras, caminhar no caminho estreito
significa que desistimos inteiramente de nossa própria vontade.
Há
poucos que estão dispostos a realmente andar por este caminho, porque desistir
de nossa própria vontade realmente nos causa sofrimento.
-
Os pés falam da sua caminhada, do seu dia a dia. Do ordinário e não do
extraordinário.
Eu não preciso ver anjos, ter visões extraordinárias ou
sensações arrebatadoras para andar com Deus. Eu preciso é de constância na
minha caminhada com o Senhor!
Eu
preciso caminhar no ordinário! Entendem?
A
palavra “ordinário”, segundo o dicionário Léxico, significa: habitual,
normal, acontecimentos ordinários.
Lamentavelmente,
muitos crentes viciados em grandeza, transformou o ordinário em algo
indesejável, algo indigno de ser mencionado.
Esta forma de caminhar com Deus com retidão e
simplicidade gera cura em nós e por meio de nós. É o por isso que finalzinho
deste versículo 13 diz:
“para que não se extravie (se perca) o que é manco;
antes, seja curado”.
4- A BUSCA
PELA PAZ COM TODOS E A SANTIFICAÇÃO (Vs. 14)
14
Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,
A
palavra segui nos traz a ideia aqui de alvo de direcionamento.
Quando
o escritor escreve “segui a paz com todos” ele está dizendo literalmente
“corram em direção à paz”, “persigam a paz”.
A expressão grega utilizada por ele implica no sentido de
empenhar toda energia necessária para que esse alvo seja alcançado.
O
conselho de seguir a paz com todos, muito nos faz lembrar o que disse Davi no
Salmo 34.
Ele
escreve: “Aparta-te do mal e pratica o que é bom. Procura a paz e esforça-te
por alcançá-la” (Salmo 34:14).
Esse
mesmo conselho também foi citado pelo apóstolo Pedro (1 Pedro 3:11).
Como esta atitude é importante queridos? Você já percebeu que muitos são os
que se desviam do caminho por causa de pessoas? Por problemas de
relacionamentos? Pela falta de perdão?
A mesma aplicação e intensidade que o autor expressou
para exortar acerca da busca pela paz, ele também utilizou para falar sobre a
necessidade da santidade.
A
ordem é para seguir a paz com todos e a santificação! Isto significa que a
busca pela paz é inseparável da busca pela santificação. Logo, devemos
perseguir a paz tanto quanto devemos perseguir a santificação.
A
santificação é um processo que ocorre durante toda a vida daquele que é
filho(a) de Deus.
Nesse mundo ainda estamos sujeitos ao pecado, mas através
da santificação nós vamos mortificando nossa carne e nos submetendo a vontade
de Deus.
O objetivo é que possamos ser cada vez mais
parecidos com Cristo por meio da obra do Espírito Santo em nosso coração.
“E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o
Caminho Santo; o imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo;
quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco.” Isaías 35:8
A santificação é um dos requisitos essenciais para Deus
operar maravilhas em nosso meio.
⁵ “Disse Josué ao povo: Santificai-vos, porque amanhã o
Senhor fará maravilhas no meio de vós.” Josué 3:5
CONCUSÃO: Estes 4 requisitos para o reavivamento é o
que Deus espera de nós. Se não restabelecermos as nossas mãos e joelhos. Se não
andarmos no caminho estreito e ordinário; se não seguirmos a paz e a
santificação, não viveremos este reavivamento.
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja
Metodista Catalão-GO