Texto básico: “E
o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. E vimos
sua glória, glória como a do Pai”. (João 1.14)
Introdução: Graça e Paz! Nesta noite eu quero compartilhar
com vocês uma palavra que tem como objetivo a uma compreensão de como deve ser
o nosso relacionamento com Deus principalmente em um tempo de tantas desgraças.
2020
foi o ano das más notícias, das surpresas desagradáveis, das perdas
irreparáveis. O número de pessoas desaparecidas e suicidas aumentou em grande
proporção.
Não
bastaram as perdas pelo Covid: a depressão e a ansiedade foram tão pandêmicas
quanto o novo vírus.
De
igual modo, não pudemos chorar as pessoas que morreram de outras causas, porque
as aglomerações não foram possíveis nem para as tristezas, nem para as
alegrias. Famílias foram separadas. Reencontros foram adiados. Planos foram
frustrados, suspensos, adiados ou deixados de lado.
Em meio a todo esse
turbilhão, chegamos a um 2021 com o tema:
“Discípulas e
discípulos nos caminhos da missão proclamam as boas notícias da graça”.
Parece haver algo de
profético em torno desse tema, considerando tudo o que experimentamos nos
últimos 12 meses.
O que proclamar? Qual o conteúdo
dessa boa nova? A
graça!
Esta palavra é muito
preciosa para nós, metodistas.
Ela nos remete ao tipo de relacionamento
que ansiamos ter com Deus.
Uma
relação autêntica com Deus não é baseada na força da lei, mas no apego da
graça.
Então,
precisamos entender o que é a graça. É o que faremos, durante todos os quartos
domingos deste ano, domingos de missão, dia de voltarmos nosso foco ao amor
pelas vidas perdidas.
Começamos hoje falando
sobre a origem da graça. JESUS,
O PONTO DE PARTIDA DA GRAÇA.
João,
no seu Evangelho, volta à criação do mundo e nos dá uma ideia nova de Gênesis.
É por causa de João que, quando lemos: “Façamos
o homem à nossa imagem e conforme a nossa semelhança”, nós enxergamos Jesus
no princípio da criação. Ele é o motivo pelo qual todas as coisas existem.
É
o que Paulo também diz em Rm 11:36 “Porque dele, por ele e para ele são todas
as coisas”.
Todas as coisas
criadas possuem a marca de Cristo, o toque de Cristo e o propósito de Cristo.
Colossenses 1:15-17
15 Este é a imagem do
Deus invisível, o primogênito de toda a criação;16 pois, nele, foram
criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis,
sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi
criado por meio dele e para ele.17 Ele é antes de
todas as coisas. Nele, tudo subsiste.
Tudo
o que existe converge para ele porque a graça é como um grande imã espiritual,
que nos puxa amorosamente ao encontro de Deus.
E
esse imã tem seu catalisador na vida de Cristo, porque ele não apenas colocou
seu selo em todas as coisas, atestando sua posse sobre tudo, mas as redimiu de
toda a destruição do pecado por meio do seu sangue e as destinou para si
novamente, em amor!
Jesus
sintetiza tudo o que se pode dizer sobre a graça. Ela, como ele, é
“indesistível”!
A
história da Graça se revela em Jesus em diversas dimensões da vida humana.
1- JESUS, O PONTO DE VISTA DA GRAÇA.“E o verbo se fez carne”
Quando
Jesus se encarna, ele muda completamente a perspectiva do ser humano sobre
Deus. Ele
permite que possamos olhar nos olhos de Deus e nos reconhecermos como filhos e
filhas Dele, como herdeiros e herdeiras da graça divina.
É
como um adulto que se abaixa para falar a uma criança. Ela não poderia jamais alcançar
isso sozinha, mas a comunicação existe e se torna viável porque aquele que
estava acima se abaixa.
Stanley
Jones diz: “Jesus é o Deus que se abaixa
até nossa compreensão e necessidade”.
Podemos
agora entender o que antes estava além do nosso alcance.
O
apóstolo Paulo diz que a lei nos conduz como um aio, como um pedagogo, como
alguém que ensina o caminho, mas que a lei não pode nos levar a penetrar o
profundo da relação com Deus.
“De maneira que a lei
nos serviu de aio (tutor, pedagogo) para nos conduzir a Cristo, a fim de que
fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos
subordinados ao aio. Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo
Jesus;” Gálatas
3:24-26
-
A lei aponta o que está errado, mas não consegue ministrar perdão
- A lei aponta o erro, mas não consegue eliminar a culpa.
A
graça não apenas gera o perdão e elimina o peso, mas ela permite o recomeço.
Ela possibilita a leveza. Ela permite entender a vontade de Deus e obedecer a
esta vontade. Ela abre margem à ação do Espírito Santo.
Nós
só podemos compreender isso porque Jesus, ao encarnar-se, cumpre toda a lei.
Olhando
para a vida dele, para suas palavras, seguindo seu exemplo, nós tornamos
possível para nós uma vida plena em abundância!
A relação com Deus se
torna realmente filial.
As cobranças por performance podem ser substituídas por uma vida real. A justificação acontece. A purificação transforma a existência.
Olhamos para nós mesmos e encontramos motivo para respirar o ar da liberdade...
Não
apenas compreendemos a Deus porque ele se abaixa até nós em Cristo. Nós também
podemos apresentar nossa necessidade a ele.
Hebreus 4:15,16
Porque não temos sumo
sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele
tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos,
portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos
misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.
As pessoas sempre perguntam
se Deus está interessado nas pequenas coisas da nossa vida. Em Jesus, aprendemos que sim.
-
Ele nos ensina que Deus cuida dos passarinhos, que Deus cuida dos lírios do
campo, que Deus cuida de nós assim também. Que tudo o que existe na criação é
alvo do amor de Deus e que nós também.
Deus
está interessado em nossa existência. Ele quer nos fazer plenos e plenas em
todos os sentidos.
Ele
quer nos alegrar nesta vida e quer nos dar a sua glória eterna!
-
Jesus nos mostra isso porque ele falou para as pessoas, ele curou as pessoas,
ele deu propósitos às pessoas, ele as ensinou, confrontou, desafiou e amou em
todas as proporções.
Ele deu vida abundante e eterna a muita gente
e segue fazendo o mesmo a nós também!
2- JESUS, O PONTO FINAL DA GRAÇA.
“E o Verbo se fez carne e habitou
entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do
unigênito do Pai”. João 1:14
A
graça começa e termina em Cristo. Ela começa no coração amoroso de Jesus e
termina apontando para a glória dele.
Por
isso que João declara: “vimos a sua
glória, glória como do unigênito do Pai”
O que significa esta
declaração?
Significa que em Jesus
Cristo podemos ver a glória de Deus. E não somente isso! A manifestação da
glória de Deus, revelada em Jesus, não nos consome em nosso pecado como
acontecia algumas vezes no Antigo Testamento.
As
Escrituras advertem que nenhuma pessoa podia ver a Deus e viver.
Moisés
em Êxodo 33, quando ele subiu ao monte santo rogou a Deus: “Deixe-me ver sua
face. Mostra-me sua glória”. O pedido foi negado, (Êxodo 33:20) mas o Senhor permitiu que Moisés visse suas costas
enquanto a glória de Deus passava por ele (Êxodo 33:23).
Você lembra de Isaías
quando teve a visão do trono de Deus em Isaías cap. 6?
“No ano da morte do
rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de
suas vestes enchiam o templo”. (Isaías 6.1)
Quando
Isaías veio ao templo ele estava em crise. O rei Uzias estava morto. Os olhos
de Isaías foram abertos para ver o verdadeiro Rei da nação. Ele viu a Deus, o
Soberano, sentado em um trono, cheio de glória e santidade!
O
que ele disse? “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido!
Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros
lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” Isaías 6:5
Isaías ali mesmo
diante da glória de Deus pensou que iria morrer. Mas não, sabe porque? Porque o
Deus de Toda Graça se manifestou a ele. Antes, ele foi tocado e purificado com
as bravas vivas do altar!
A
palavra glória, no Antigo Testamento, é shekinah. É um termo rico de
significados, a maior parte deles relacionado com algo que é para ser visto e
apreciado.
A
shekinah era o fogo queimando na sarça que não se apagava. Era a nuvem que
enchia a tenda da congregação. Ou a luz que resplandecia no rosto de Moisés.
Ela
foi a manifestação que apareceu para Salomão enquanto ele orava.
A
shekinak era a sinalização de que Deus estava presente.
Em
Jesus, a glória de Deus é a percepção da atuação da graça de Deus. Se existe
glória é porque a graça agiu.
Se
a graça agiu, a glória é manifestada! Por isso, quando Jesus vem, cheio de
graça e de verdade, a glória de Deus é manifesta.
A
gente consegue reconhecer que Deus está presente, vivo e perceptível!
A
glória é sinal que a graça prevaleceu sobre todo pecado, morte, separação e
divisão. A graça vence e a glória aparece!
3- JESUS, A GRAÇA QUE
HABITA.
“E o Verbo se fez
carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade..” João 1:14,a
O termo “verbo” nessa
declaração traduz o grego logos, que significa “palavra”. Mas o Logos a que João se refere não
é um conceito abstrato de razão, mente ou sabedoria, e muito menos uma
filosofia.
Embora
esse termo fosse amplamente usado na filosofia grega, ao escrever que “o Verbo
se fez carne e habitou entre nós” João usou esse mesmo termo para mostrar a
seus leitores que o verdadeiro Logos não
era algo impessoal, mas uma Pessoa real que revelava corporalmente a divindade
e que podia ser ouvida, vista e tocada.
Após
escrever que o Verbo se fez carne, João completou: “e habitou entre nós”. A
palavra “habitou” significa literalmente “tabernaculou”, ou seja, “armou sua
tenda”.
O
maior desejo de Jesus é se fazer presente na vida e no coração dos seres
humanos. E nós como discípulos de Jesus precisamos nos dispor a proclamarmos a
graça, a falarmos de Jesus a tempo e fora de tempo!
Quero desafiar você a
viver um ano sob a graça e na disposição do anúncio da graça.
“Quero assegurar a
você que a glória de Deus pode vir sobre nós de modo muito especial neste ano,
se voltarmos nosso foco para Cristo, esta graça encarnada, que é o ponto de
partida, o ponto de vista e o ponto final da plenitude de toda vida!”
Entregue
seu coração a esta experiência vital. Abra seus olhos para as boas notícias que
estão aí para serem proclamadas.
Assuma o lugar de
proclamador, de proclamadora.
Não tenha medo de passa-las adiante.
Essas não são fake News. São verdadeiras, são autênticas e transformam vidas!
“Porém
em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha
carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho
da graça de Deus.” Atos 20:24
CONCLUSÃO: Jesus não é uma boa notícia passageira. Ele é a graça que habita entre
nós. A graça que caminha conosco. Ele é o Emanuel, Deus conosco, graça conosco!
Ele
permanece. Ele está ao nosso alcance. Ele quer nos elevar às alturas de Deus.
Ele é a reconciliação com Deus. Ele é a ponte que nos une ao céu.
Anjos
vieram do céu para proclamá-lo nos campos de Belém. Magos vieram do oriente
para proclamá-lo no palácio.
Ninguém
pode ficar sem ouvir esta proclamação.
Este
é o nosso tempo! Vamos anunciar Jesus, a origem da graça!
Texto: Bispa Hideide
Brito Torrres
Adaptação:
Gilberto Oliveira Rehder