⁷ Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.
⁸ Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco,
⁹ ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.
¹ Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó:
¹ Então, respondeu Jó ao Senhor:
² Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
³ Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
⁴ Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
⁵ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.
⁶ Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
¹⁰ Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.
¹² Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.
¹³ Também teve outros sete filhos e três filhas.
¹⁴ Chamou o nome da primeira Jemima, o da outra, Quezia, e o da terceira, Quéren-Hapuque.
¹⁵ Em toda aquela terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.
¹⁶ Depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.
¹⁷ Então, morreu Jó, velho e farto de dias.
Antes de tudo é importante sabermos como a bíblia define
a fé:
Hebreus 11:1 | ARA
¹ Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.
¹ Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.
Se a fé tem a ver com certeza de coisas que se esperam, e convicção de fatos que não se veem, quando a nossa fé entra em crise, ela deixa de ser apenas uma certeza automática e se transforma em um profundo questionamento sobre o sentido da vida, o sofrimento ou a presença de Deus.
Quando a nossa fé entra em crise perdemos a convicção dos fatos que não se veem e nos apegamos apenas àquilo que é visível e palpável.
· Dor e sofrimento: A perda de alguém querido, uma doença grave ou injustiças fazem a pessoa questionar a justiça ou o amor divino.
A Palavra de Deus não apenas reconhece a crise na vida do justo, com também registra suas dores, seus gemidos, lágrimas e perguntas que não encontraram resposta imediata. A Escritura nasce da convicção de que a jornada de fé não contorna o vale; ela o atravessa. Deus se revela em meio à crise, mas nem sempre se explica; Ele se aproxima, mas nem sempre remove de imediato o espinho.
Tendo este contexto em mente, hoje eu quero falar sobre Jó.
“A história do homem de Uz não pretende relativizar sua dor; ela apenas revela que o sofrimento nem sempre é recibo de culpa, nem ausência automática de Deus. Há realidades que não cabem em fórmulas — e isso não invalida a fé, apenas a torna mais honesta”. Escritor Jobe Vieira – Enxertados
Quem era Jó?
Segundo a declaração do
próprio Deus Jó era “irrepreensível, íntegro, temente a Deus e que se
desviava do mal” (Jó 1.1).
Ele era também um Pai temente e que exercia um papel de sacerdote do seu lar. Antes do amanhecer, conforme o que diz no vers. 5, ele oferecia sacrifícios em favor dos filhos “pois dizia: ‘Talvez meus filhos tenham pecado…’ ” (1.5)
J
Ele era também um Pai temente e que exercia um papel de sacerdote do seu lar. Antes do amanhecer, conforme o que diz no vers. 5, ele oferecia sacrifícios em favor dos filhos “pois dizia: ‘Talvez meus filhos tenham pecado…’ ” (1.5)
J
ó também era muito próspero. A
prosperidade que desfrutava, rebanhos numerosos, servos leais, dez filhos que
celebravam juntos, reforçava a ideia de que a fidelidade sempre desemboca em
bênçãos visíveis.
Até que o imprevisível aconteceu. Num único dia, mensageiros
sucessivos relataram assaltos, mortes e perda de todos os bens; a última
notícia trouxe o luto: um vento do deserto derrubara a casa onde os filhos
festejavam, matando cada um deles (1.13-19)
Logo depois, úlceras cobriram o corpo de Jó “da planta do
pé ao alto da cabeça” (2.7). Sentado no pó, ele raspou as feridas com um caco
de cerâmica; a devoção que antes parecia sólida
encontrou o silêncio absoluto do céu.
Por
conta de suas perdas ele entra em depressão de tal maneira que ele deseja nem
ter nascido: “Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela?” Jó
3.11.
Entender porque Jó
desejou a morte é até compreensível diante de um sofrimento intenso e real que
ele passou!
A sua mulher, que também sofria com ele a mesma
desventura reage: “Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa
a Deus e morre” (2.9).
O isolamento
torna-se mais profundo: o companheirismo conjugal, que em outros dias
oferecia suporte, agora questiona a viabilidade da fé.
No espaço de pouco
tempo, Jó perde trabalho, status, sustento, filhos, saúde e apoio emocional. A narrativa não oferece
explicação humana e, até aqui, Deus permanece em silêncio. E aí aparecem neste
cenário (Jó 2:11) os amigos de Jó que
tentam consolá-lo em sua dor:
Jó 2:11 | ARA
¹¹ Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo.
¹¹ Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo.
Conforme o verso 13 eles se sentam com ele em terra e ficam 7 dias e noites totalmente mudos. Um gesto raro de empatia.
Quando decidem falar, eles falam o que a maioria das pessoas falam, inclusive crentes. Para todos, a equação continua simples: dor é sentença (punição, juízo divino); a prosperidade é recompensa.
- Será que os discursos dos amigos de Jó lhe trouxeram consolo?
Jó 19:2 |
ARA
² Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras?
Jó, cada vez mais isolado, insiste em que Deus lhe dê audiência.
² Até quando afligireis a minha alma e me quebrantareis com palavras?
Jó, cada vez mais isolado, insiste em que Deus lhe dê audiência.
Que
lições podemos aprender através da crise de Jó para que a nossa fé não venha
desfalecer?
1- A PRIMEIRA LIÇÃO DE JÓ É A LIBERDADE DE LAMENTAR SEM PERDER O VÍNCULO COM DEUS.
O livro inteiro prova que orações podem nascer em forma de queixa, perguntas podem ser dirigidas ao céu sem que isso anule a reverência.
A oração toma a forma de queixa, mas ainda é oração.
O desabafo é, portanto, ato de fé!
Precisamos crer que Deus suporta a honestidade das nossas perguntas e é suficientemente bom para ouvir o que nenhum outro ouvinte suportaria. Se o lamento e a queixa eram permitidos ao homem que Deus chamou de “servo fiel”, também é permitido a você.
2- A SEGUNDA LIÇÃO DE JÓ É RECONHECER O LIMITE DA PRÓPRIA PERSPECTIVA.
O silêncio divino que cercava cada noite de Jó termina com o estalo de um trovão.
“Então o Senhor respondeu a Jó do meio de um redemoinho” (Jó 38.1).
Não chega um anjo, não aparece uma tábua de explicações; vem um turbilhão, o tipo de vento que varre as certezas e obriga o coração a prestar atenção.
O interessante aqui é que Deus não responde, mas pergunta: (Ler do verso 4 ao 10)
Jó 38:4-10 | ARA
⁴ Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento.
⁵ Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
⁶ Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular,
⁷ quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?
⁸ Ou quem encerrou o mar com portas, quando irrompeu da madre;
⁹ quando eu lhe pus as nuvens por vestidura e a escuridão por fraldas?
¹⁰ Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus ferrolhos e portas,
Até
o final deste capítulo Deus continua perguntando a Jó. Cada
pergunta desmonta a ilusão de que o universo se encaixa em esquemas humanos.
Jó não é humilhado pelo sarcasmo de Deus, mas pela vastidão: descobre-se minúsculo diante de um Deus que governa o universo!
Jó não é humilhado pelo sarcasmo de Deus, mas pela vastidão: descobre-se minúsculo diante de um Deus que governa o universo!
As perguntas de Deus no redemoinho deslocam o olhar de Jó do micro para o macro, da ferida imediata para o vasto tecido da criação.
Deus não minimiza a dor dele; mostra apenas que existe um horizonte maior do que a sua dor. A dor pessoal não some, mas agora existe dentro dele um quadro que ultrapassa suas fronteiras.
Na verdade Deus não explicou o sofrimento; mas, revelou-Se maior que ele.
A cura de Jó tem início no encontro com Deus, não na resposta às suas perguntas.
A virada não está no recebimento de respostas, mas no encontro com alguém que transforma o coração antes de transformar as circunstâncias. O Deus que parecia ausente mostra-Se presente de modo avassalador, e a fé, que começou ferida, termina vendo.
Jó 42:1-6| ARA
¹ Então, respondeu Jó ao Senhor:
² Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
³ Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
⁴ Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
⁵ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.
⁶ Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
Quando Jó confessa — “Eu Te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos Te veem” (Jó 42.5) — não está dizendo que antes ignorava Deus, e sim que a relação dele com o Altíssimo até aquele momento eram superficiais.
Deus responde ao sofrimento não primariamente com teoria, mas com manifestação da sua presença.
Portanto, a pergunta que fica não é “Por que sofro?”, mas “Quem me acompanha no sofrimento?”. A mesma voz que falou do redemoinho agora fala por meio do Espírito (Rm 8.26-27) e afirma que nada — nem morte nem vida, nem presente nem futuro — pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.38-39).
Caminhar com essa certeza não anula o luto; transforma-o em semente de esperança.
CONCLUSÃO: A cura de Jó tem início no encontro – não na resposta – e se aprofunda quando ele ora pelos amigos que o feriram.
Jó 42:10
¹⁰ Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.
Nas horas mais áridas, o ato de interceder por alguém, de estender cuidado mesmo ferido, pode abrir fendas por onde a graça volta a circular. Nem sempre virão explicações. Mas a presença de Deus, quando percebida, basta para sustentar passos que pareciam impossíveis.
Oração:
Pai, há momentos em que o peso do que perdemos é maior que as palavras disponíveis. Levamos-Te agora esse silêncio doído — tão parecido com o de Jó — e o colocamos aos Teus pés.
Tu és o Deus que acolhe perguntas sem pressa de respondê-las, o Deus que se aproxima no redemoinho e transforma a nossa visão antes de transformar a situação.
Que o encontro contigo seja maior do que a explicação que desejamos. Renova-nos a capacidade de confiar na Tua bondade quando a matemática da existência não fecha; faz brotar em nós aquela fé que sabe esperar até que os Teus caminhos, por fim, se revelem.
Igreja Metodista Catalão-GO

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