A Crise de Paulo-
Quando se perde as forças à sombra da morte.
Texto: 2 Coríntios
1:8-11
⁸ Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que
nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de
desesperarmos até da própria vida.
⁹ Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não
confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos;
¹⁰ o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos
esperado que ainda continuará a livrar-nos,
¹¹ ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para
que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos
foi concedido por meio de muitos.
Introdução:
Graça e Paz irmãos! Hoje é a nossa última ministração da Série “Quando a Fé
entra em Crise”. Nos domingos anteriores falamos das crises que abalaram a fé de
Jó, Jeremias e de João Batista; hoje eu quero falar sobre Paulo, quando ele
perdeu suas forças à sombra da morte.
Poucos
cristãos do primeiro século acumularam tanta experiência ministerial quanto
Paulo. Ele já havia percorrido quase quinze mil quilômetros em viagens
missionárias, onde havia plantado várias igrejas.
Em
Atenas ele debatia com os filósofos gregos. E em Filipos, Jerusalém e Roma,
Paulo enfrentou a prisão. O nível de tribulação que ele enfrentou para
proclamar o evangelho e ao mesmo tempo orientar a igreja contra os falsos
mestres, foi tão intensa que ele no versículo 8 ele diz que “...a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia,
porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria
vida”.
Nesse
contexto, a expressão “acima das forças” não é figura de retórica. O
verbo grego indica esmagamento, como peso que excede a resistência
de uma viga.
Paralelamente,
chegavam notícias de Corinto que misturavam divisões internas, pecados
de imoralidade e questionamentos sobre a sua autoridade apostólica.
Enquanto lidava com a perseguição externa, Paulo
precisava recompor a relação com uma igreja que ele mesmo fundara, mas que
agora flertava com falsos mestres.
Além das
tensões externas e internas, a sua saúde física também foi afetada. Ele menciona no versículo 9 ter uma “sentença de
morte”, expressão que muitos comentaristas associam a enfermidade grave
contraída na Ásia Menor.
Com toda essa bagagem de sofrimento, Paulo a reconheceu que suas
próprias forças haviam acabado. Essa
sucessão de eventos significa que a crise que enfrentou não resultou de um
único golpe. Diante destes acontecimentos Paulo confessa ter perdido a esperança
da própria vida.
Em síntese, a crise de Paulo é tão intensa com a combinação
de três fatores:
(1) perseguição,
(2) tensões doutrinárias e relacionais em Corinto, e (3) uma enfermidade
debilitante.
Nenhum
desses agentes, isoladamente, seria inédito para Paulo; juntos, porém,
superaram tudo o que ele havia experimentado até então.
Quais as lições que podemos aprender com as crises
de Paulo?
1- PRECISAMOS TER A CONSCIÊNCIA DE NOSSA VULNERABILIDADE.
⁸ Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que
nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de
desesperarmos até da própria vida.
Paulo
tinha consciência de sua própria vulnerabilidade. E essa consciência não podia
simplesmente ser ignorada pela Igreja.
Reconhecer suas fraquezas e limitações não era um sinal de fracasso, mas
sim o fundamento de sua força espiritual e de seu ministério.
Em vez de
esconder suas fraquezas, Paulo as expunha e as abraçava, pois entendia que a
fragilidade humana era o cenário perfeito para a manifestação do poder de Deus.
Em 2
Coríntios 4:7, ele usa uma metáfora poderosa para descrever a fragilidade
humana dos apóstolos em contraste com a mensagem que carregavam: "Temos,
porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de
Deus e não de nós."
Os vasos
de barro na Antiguidade eram comuns, baratos e facilmente quebráveis. Paulo
reconhecia que ele e seus companheiros eram frágeis e imperfeitos, mas que essa
própria fragilidade garantia que toda a glória pelo sucesso da sua missão
pertencesse a somente a Deus, e não a inteligência ou à força humana.
Esse
nível de exposição é raro em documentos do mundo antigo, pois líderes
geralmente buscavam manter aparência de autocontrole.
Em muitos contextos, vulnerabilidade é vista como
fraqueza. Existe uma pressão constante para
parecermos fortes, resolvidos e inabaláveis. Admitir limites, dores ou
inseguranças pode parecer arriscado.
Por isso, muitos escondem o que sentem. Criam uma imagem de controle
enquanto, por dentro, enfrentam lutas silenciosas. Esse esforço para sustentar uma aparência acaba
gerando cansaço e isolamento.
Quando você admite suas fraquezas, abre espaço para
a ação de Deus. A vulnerabilidade não te diminui, ela te conecta com a graça e
o poder de Deus.
O relato
mais marcante dessa conexão da fraqueza com a graça está em 2 Coríntios
12:7-10. Paulo menciona que, para não se ensoberbecer com a grandeza das
revelações que recebeu, foi-lhe dado um "espinho na carne".
Embora a
natureza exata desse espinho seja debatida (uma doença física, perseguição ou
uma tentação constante), a resposta que ele recebeu de Deus moldou sua visão
sobre a vulnerabilidade:
2 Coríntios 12:9 | ARA
⁹ Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se
aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas,
para que sobre mim repouse o poder de Cristo.
Em
resumo, a consciência que Paulo tinha de sua vulnerabilidade o protegia do
orgulho, aprofundava sua empatia pelas outras pessoas e o mantinha em um estado
de total dependência de Deus.
2- PRECISAMOS EXPERIMENTAR UMA DEPENDÊNCIA RADICAL DE DEUS.
⁹ Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos
em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos;
“Nós nos sentíamos como condenados à morte. Mas isso aconteceu para que
aprendêssemos a confiar não em nós mesmos e sim em Deus, que ressuscita os
mortos”.
(Nova Tradução na Linguagem de Hoje)
O próprio
Paulo define o momento vivido como uma “sentença de morte”. A palavra traduzida
como “sentença” significa uma resposta judicial ou veredicto. Ele tinha uma
expectativa certa de que seria destruído.
Aquela
expectativa real de morte desmontava completamente a sua autoconfiança.
O contraste entre não confiarmos em nós e
confiarmos em Deus aponta para uma fé que depende de Deus, não de força
própria.
A expressão em Deus, que ressuscita os mortos revela o fundamento da confiança:
Deus é aquele que tem poder para
dar vida, até mesmo onde a morte parece vencer.
Como
Paulo, nós também precisamos aprender que a verdadeira força não nasce da
perfeição, mas de uma dependência plena de Deus.
Depender de Deus significa que nenhuma decisão na
vida será tomada sem oração e sem averiguar o que Palavra de Deus diz sobre o
assunto.
2 Coríntios 3:4,5 | ARA
⁴ E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus;
⁵ não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como
se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,
Em Filipenses 4:13 o apóstolo sintetiza sua total dependência afirmando:
"Tudo posso naquele que me fortalece", mostrando
que sua estabilidade emocional e espiritual não vinha das circunstâncias
externas ou até mesmo de sua cultura apurada, mas do Senhor.
É bem
possível que neste momento alguns estejam tristes pelo tamanho e pela gravidade
de seus sofrimentos. Mas uma coisa é certa!
Deus prefere nos ver tristes, mas perto Dele, salvos
por Ele, do que rindo, longe de sua presença e eternamente perdidos.
1 Pedro 1:6-9 | ARA
⁶ Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário,
sejais contristados por várias provações,
⁷ para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa
do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e
honra na revelação de Jesus Cristo;
⁸ a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas
crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,
⁹ obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.
3- PRECISAMOS RESGATAR AS MEMÓRIAS QUE NOS DÃO ESPERANÇA.
¹⁰ o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos
esperado que ainda continuará a livrar-nos,
Não
apenas aquelas memórias de conquistas e bênçãos que recebemos, mas
principalmente dos livramentos que recebemos de Deus!
Ao
declarar que o Deus que ressuscita os mortos “nos livrou… livra… e ainda nos livrará”
Paulo constrói uma perspectiva da esperança em três tempos verbais.
O passado confirma a fidelidade, o presente sustenta a caminhada, o futuro permanece
aberto à intervenção de Deus.
Filipenses 1:6 “Estou plenamente certo
de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até
ao Dia de Cristo Jesus”.
Paulo combateu o desespero em seu coração lembrando dos livramentos
passados e registrando-os por escrito. Em
momentos de pressão, a mente concentra-se no que falta e esquece o que Deus já
fez.
Essa
é uma prática de gratidão retrospectiva que nos ajuda a realinhar emoções à
realidade da fidelidade divina.
Tente
listar intervenções específicas que o Senhor já realizou em favor da sua família,
carreira ou saúde.
4- PRECISAMOS VALORIZAR AS PESSOAS QUE DEUS USA PARA A NOSSA CONSOLAÇÃO.
¹¹ ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para
que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos
foi concedido por meio de muitos.
O
texto também ensina que Deus frequentemente envia ajuda por meio de pessoas que
oram por nós e nos apoiam.
Creio também que essa ajuda se refere ao consolo que
recebemos através de irmãos!
2 Coríntios 1:3,4 | ARA
³ Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!
⁴ É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para
podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com
que nós mesmos somos contemplados por Deus.
Mais tarde Paulo em 2 Cor 7:5-7 , diz que o alívio que
Paulo recebeu veio junto com a chegada de Tito.
2 Coríntios 7:5-7 | ARA
⁵ Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos;
pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro.
⁶ Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a
chegada de Tito;
⁷ e não somente com a sua chegada, mas também pelo
conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o
vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.
De
forma semelhante, o Senhor pode responder às nossas súplicas com um telefonema
inesperado, uma visita, um grupo de irmãos dispostos a ouvir sem julgar.
Repare que o apóstolo transforma a própria dor em ministério.
Ele se vê consolado para consolar outros.
Talvez
a causa do seu abatimento ainda não esteja resolvida, mas à medida que recebe consolo,
você pode acolher quem vive uma adversidade parecida.
Há
pessoas que esperam pelo consolo primeiro para consolar outros. Mas eu te digo que
consolar é um ato de fé.
Em vez de esperar sair totalmente do vale para depois
servir, aceite que o consolo de Deus flui mesmo em terrenos onde a aflição ainda
não terminou por completo.
Você descobrirá que a mão que o levanta é a mesma
que capacita a levantar outros.
CONCLUSÃO:
Precisamos
admitir que limitação não é fracasso espiritual; é ponto de partida para dependência
mais honesta no Deus que ressuscita os mortos. Ignorar sinais de exaustão só prolonga o ciclo
de autossuficiência que Deus quer substituir por confiança prática na graça.
Provérbios 3:5-7 (NVI)
“Confie no SENHOR de todo o coração e não se apoie no seu
próprio entendimento. Reconheça‑o em todos os seus caminhos, e ele endireitará
as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao SENHOR e
afaste‑se do mal”.
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO
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