segunda-feira, 2 de agosto de 2021

COMO LIDAR COM AS AMARGURAS DA VIDA?


Texto: Rute 1:1-22
1 Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos.
2 Este homem se chamava Elimeleque, e sua mulher, Noemi; os filhos se chamavam Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; vieram à terra de Moabe e ficaram ali.
3 Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos,
4 os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos.
5 Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.
6 Então, se dispôs ela com as suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o Senhor se lembrara do seu povo, dando-lhe pão.
7 Saiu, pois, ela com suas duas noras do lugar onde estivera; e, indo elas caminhando, de volta para a terra de Judá,
8 disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo.
9 O Senhor vos dê que sejais felizes, cada uma em casa de seu marido. E beijou-as. Elas, porém, choraram em alta voz
10 e lhe disseram: Não! Iremos contigo ao teu povo.
11 Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam por maridos?
12 Tornai, filhas minhas! Ide-vos embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e houvesse filhos,
13 esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Abster-vos-íeis de tomardes marido? Não, filhas minhas! Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o Senhor descarregado contra mim a sua mão.
14 Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela.
15 Disse Noemi: Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada.
16 Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
17 Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
18 Vendo, pois, Noemi que de todo estava resolvida a acompanhá-la, deixou de insistir com ela.
19 Então, ambas se foram, até que chegaram a Belém; sucedeu que, ao chegarem ali, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres diziam: Não é esta Noemi?
20 Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso.
21 Ditosa eu parti, porém o Senhor me fez voltar pobre; por que, pois, me chamareis Noemi, visto que o Senhor se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso me tem afligido?
22 Assim, voltou Noemi da terra de Moabe, com Rute, sua nora, a moabita; e chegaram a Belém no princípio da sega da cevada.
 
Introdução: De todas as historias bíblicas, o livro de Rute é uma das mais dramáticas que conheço.
 
O livro retrata um dos piores períodos para se viver do povo Hebreu, o tempo dos juízes, pois se tratava de uma época terrível na qual perdurava a anarquia e as constantes guerras, tudo isso em decorrência da apostasia e decadência moral do povo Hebreu.
 
Dois lugares formam o contexto do livro: Belém e a terra de Moabe.
 
No período dos juízes o povo de Israel chegou a ser oprimido sob o domínio moabita durante dezoito anos, por conta de seus pecados contra o Senhor (Juízes 3.12-14). Logo depois, Israel subjugou Moabe durante oitenta anos (Juízes 3.29,30).
 
O que fica evidente é que a história de Israel e Moabe é marcada por uma profunda hostilidade.
 
A Bíblia nos diz que naqueles dias, houve uma grande fome em Israel, e no meio dessa turbulência “um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos” (v. 1).
 
O homem se chamava Elimeleque e era esposo de Noemi. Ele partiu de Belém (Casa de Pão) com ela e seus dois filhos: Malom e Quiliom. Mas, ao invés de encontrar a felicidade, só encontraram sofrimento e morte.
 
3 Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos,
4 os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos.
5 Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.
 
É bem provável que a decisão que Elimeleque tomou ao sair de Belém (que significa a casa do pão), foi sem a direção do nosso Senhor.
 
É interessante que, apesar de o nome de Elimeleque significar “meu Deus é rei”, não havia indícios de Deus fosse de fato o seu rei. Além de sair de Belém por conta própria, sem a direção de Deus, ele deu a seus dois filhos nomes cananeus em vez de nomes hebreus: Malom (doença) e Quiliom (fraquesa).
 
Isso indica que Elimeleque não tinha um relacionamento real com Deus.
 
Rute, a moabita, entra na história dessa família quando se casa com Malom. Ela não conhecera seu sogro, que já havia falecido quando ela e Orfa se casaram com Malon e Quilion.
 
Noemi que já havia perdido o marido perde também seus filhos.  Agora eram três viúvas juntas lutando pela subsistência.
 
Todos nós conhecemos a dor de perder alguém muito querido, e por causa dessa dor, a tristeza e a amargura se instalaram no coração de Noemi.
 
A amargura é um dos sentimentos mais destrutivos que existe. Se procurarmos a definição de amargura no dicionário, encontraremos algo como : "Tristeza, pena, angústia, aflição, azedume, disposição para o mal humor"
 
Esse sentimento, quando acumulado por algum tempo, provoca mudanças no comportamento e na saúde física, ocasionando problemas nervosos, insônia, dores de cabeça, esgotamento, mudanças de pressão arterial, artrite, taquicardia, doenças de pele, úlceras e até mesmo câncer.
 
Além disso, pessoas amarguradas tendem a ficar em isolamento. Percebam no versículo 12-13 que Noemi dá sinais de querer se isolar, pois manda embora as únicas pessoas que restaram consigo após a morte de seu marido e filhos.
 
Você não encontrará muitas pessoas que se descrevem voluntariamente como amargas. Mas Noemi é uma das poucas pessoas que se declara amargurada.
 
Quando ela retorna a Belém (vs. 19),  as pessoas a reconheceram e diziam “Não é esta Noemi (doçura), porém, (vs. 20) ela dizia: “Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso”.
 
A amargura que Noemi sentia em seu coração era devastadora, pois ela acredita que Deus era o grande protagonista da sua tragédia. Noemi culpa a Deus pela sua dor. Ela aceita a soberania de Deus, mas questiona a Sua bondade.
 
Não existe crise pior do que esta: É quando você diz: “Deus é o culpado”; “Deus não está do meu lado”; “Deus estancou a torneira do seu amor”; “Deus não está olhando para o meu sofrimento".
 
Diferentemente de Jó, que em todas as suas ponderações a respeito do que lhe ocorrera “não pecou, nem atribuiu a Deus alguma falta” (Jó 1.22; cf. 2.10), Noemi pronuncia “um lamento acusando Deus de estragar a vida dela cruelmente”
 
Creio que diante deste quadro o livro de Rute nos ajuda a perceber  algumas maneiras de lidar com as amarguras da vida e contra Deus. Eu quero destacar algumas delas:
 
1- FAZENDO UMA ALIANÇA DE AMOR.
 
Nos versículos 8 a 13 vemos Noemi despedindo de suas Noras. Não quer ser mais um peso para elas e por isso entende que as precisam se casar e dar continuidade em suas vidas. Ela, então, se despede das únicas pessoas que, de fato, tinham um significado real em suas vidas naquele momento.
 
As noras de Noemi trataram a ela e a seus filhos com amor. Veja bem, quando alguém demonstra te amar, quando você tem tudo é uma coisa, mas mesmo você não tendo nada, no pior momento da sua vida, então de fato essa pessoa te ama. As noras de Noemi a amavam realmente!
 
No ves. 14 diz que Orfa, com um beijo se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela. Rute lhe ofereceu uma aliança de amor.
 
E nos versículos 16 e 17 temos a expressão mais linda de amor na bíblia:
 
16 Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
17 Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
 
A expressão mais linda de amor na bíblia não foi à declaração de um noivo apaixonado, mas a declaração de uma nora para sua sogra viúva, pobre, estrangeira e solitária.
 
Na hora da crise a gente precisa de amigos mais chegados que irmãos, de amigos verdadeiros, amigos em aliança. Diz a bíblia que “em todo o tempo ama o amigo e na angústia se faz o irmão”. Provérbios 17:17.
 
Amizade se constrói com amizade. Amor se conquista com amor. Por isso não podemos nos fechar em nossa dor. Precisamos buscar apoio de amigos que nos ajudarão a superar a crise.
 
Rute representa aquela pessoa que Deus levanta para nos mostrar que não estamos sozinhos.
 
Noemi pensou que sua vida tinha acabado, mas, não entendia o que Deus estava para fazer a partir desta aliança de amor.  
 
2- TOMANDO DECISÕES CERTAS.
Neste texto encontramos duas decisões: Uma de Noemi e outra de Rute.
 
a- Noemi decide voltar a Belém (casa do pão)
 
6 Então, se dispôs ela com as suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o Senhor se lembrara do seu povo, dando-lhe pão.
 
Perceba que o texto nos diz que Noemi ouviu que o Senhor se lembrara de Seu povo, dando-lhe pão. Por isso, ela decide voltar.
 
Todos nós sabemos que quando uma pessoa se afasta de Deus e passa a satisfazer a sua própria vontade egoísta é muito difícil retornar, porém não é impossível. É difícil, porque retornar implica em arrependimento sincero; o que é muito humilhante para o arrogante e soberbo. 
 
No entanto, a possibilidade do retorno sempre será oferecida por Deus a todos os que se desviam de Seus planos. Na realidade este é o grande anseio de Deus, por isso ele diz a todos os que longe Dele estão:
 
“Volta, ó Israel, para o SENHOR, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído.” Oséias 14:1;
 
“Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”. Isaías 55.7.
 
b) Rute decidiu buscar refúgio no Deus de Israel.
 
Ao tomar a decisão de acompanhar sua sogra Noemi No final do versículo 16 Rute diz: “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.”
 
Ela decide que Deus de Noemi será o seu Deus, por isso ela se propõe a buscar socorro no Elshadai, o Deus todo poderoso que ela conheceu no convívio com sua sogra.
 
O infortúnio pode-nos levar a pensar que Deus é nosso inimigo, que Ele não nos ama de verdade, que não há esperança para nós. Mas Deus tinha planos muito maiores para aquelas duas mulheres. Planos que elas ainda não conseguiam enxergar. Mais adiante no texto vemos sobre isso!
 
Em tempos de crise, não devemos fugir, mas buscar socorro no Deus grande e tremendo que é refúgio e fortaleza socorro bem presente na angústia (Salmo 46).
 
A decisão de buscar o refúgio em Deus leva Noemi a retornar para Belém. (a casa do pão)
 
Em dias de dificuldades, assim como Rute, podemos buscar refúgio em Deus. Jamais devemos deixar a "casa de pão", onde recebemos o alimento para as nossas almas, o sustento, a direção certa.
 
3- REAGINDO PARA MUDAR.
 
Rute decidiu reagir para mudar a situação.
 
Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele que mo favorecer. Ela lhe disse: Vai, minha filha!” Rute 2:2
 
Neste texto vemos Rute pedindo a Noemi para ir ao campo, catar espigas, pois elas chegaram em Belém no início da colheita. Naquele tempo em Israel, havia uma lei mosaica em favor dos pobres, estrangeiros e das viúvas, que dizia que eles podiam catar as espigas que caíam no chão, para sobreviver.
 
Se valendo desta lei, Rute vai à luta! Conforme o versículo 17, entendemos que ela trabalha praticamente o dia inteiro.
 
“Esteve ela apanhando naquele campo até à tarde; debulhou o que apanhara, e foi quase um efa de cevada.” Rute 2:17
 
Deus quer agir na situação que aflige teu coração, mas Ele está esperando que você tome a iniciativa, que você reaja!
 
No mundo que vivemos existe uma lei: toda ação traz uma reação.
 
Esta lei descoberta pelo cientista Isaac Newton é facilmente comprovada no nosso dia-a-dia.
 
A bíblia ensina que nós precisamos agir também para ver a reação do céu.
 
Para achar é preciso buscar. Para colher é preciso plantar. Para comer é preciso trabalhar.
 
Uma ação na terra gera uma reação no céu. É exatamente isso que acontece neste texto.
 
4- RECONHECENDO A MÃO DE DEUS.
 
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Romanos 8:28
 
Uma das coisas que podemos perceber ao ler este livro é que Deus preparou todo o cenário para o encontro de Boaz com Rute.
 
Até mesmo as adversidades ocorridas na vida de Rute antes de conhecer Boaz foram permitidas para o cumprimento do propósito de Deus.   
 
Embora Noemi e Rute não se apercebessem do propósito de Deus, Ele estava agindo, intervindo em seu beneficio e de seu povo, dando seguimento ao seu plano de redenção.
 
No capítulo 2 versículo 3 Rute chega aos campos de Boaz.
 
“Ela se foi, chegou ao campo e apanhava após os segadores; por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz, o qual era da família de Elimeleque.” Rute 2:3
 
Nada acontece por casualidade num mundo governado por Deus. A forma como as palavras aparecem no hebraico sugerem a existência de “algum plano oculto ao acidental”
 
O texto nos dá a entender que a mão invisível de Deus está agindo providencialmente, guiando todos os passos de Rute. Deus guiou, conduziu cada passo de Rute ao campo de Boaz.
 
“a mão de Deus está nos bastidores, guiando as vidas de Rute e Noemi , porque ele gosta de cuidar daqueles que fazem dele o seu refúgio” Jerram Barrs
 
“Esteve ela apanhando naquele campo até à tarde; debulhou o que apanhara, e foi quase um efa de cevada. Tomou-o e veio à cidade; e viu sua sogra o que havia apanhado; também o que lhe sobejara depois de fartar-se tirou e deu a sua sogra.” Rute 2:17,18
 
Noemi começa, então, a reconhecer a boa mão de Deus naquele acontecimento: (Ler Rute 2:20)
 
“Então, Noemi disse a sua nora: Bendito seja ele do Senhor, que ainda não tem deixado a sua benevolência nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Esse homem é nosso parente chegado e um dentre os nossos resgatadores.” Rute 2:20
 
Um resgatador era um parente próximo que possuía certas obrigações para com os membros do seu clã. No caso, Boaz era parente de Elimeleque (2.3)
 
A lei do resgate aparece em Levítico 25.47-49. O resgatador tinha o papel de comprar de volta a propriedade de algum parente, que a vendeu por falta de recursos.
 
Ao comprar a terra de volta, o resgatador a restituía ao seu dono original: “Ao restaurar a terra a seu dono original, o esgatador mantinha a herança do clã intata”. Foi exatamente isso que Boaz fez. Ele comprou de volta, ou seja, resgatou a terra que pertencera a Elimeleque antes da sua ida para a terra de Moabe. (Rute 4:1-9)
 
O resgatador também tinha a obrigação de casar com a viúva de um parente falecido, a fim de cuidar dela e de suscitar a sua descendência.
 
Boaz cumpriu a lei do levirato, (Det. 25:5-6) casando-se com Rute e suscitando a descendência de Malom, filho de Noemi:
 
“Assim, tomou Boaz a Rute, e ela passou a ser sua mulher; coabitou com ela, e o SENHOR lhe concedeu que concebesse, e teve um filho” (4.13).

 

Imagine uma mulher viúva, sem filhos, completamente desamparada, sem perspectiva de sustento e, ainda por cima, com profundas raízes de amargura em seu coração.

Imagine também que sua amargura não é dirigida a qualquer pessoa. Antes, é dirigida a Deus. Providencialmente, essa mulher tem a sua sorte transformada. Tem a propriedade do seu falecido marido resgatada, obtém o sustento das suas necessidades e, além disso, recupera a sua descendência através do nascimento de um neto. Isto é graça!

Embora você não compreenda tudo que acontece, confie que Deus é soberano. Ele sabe o que faz!

CONCLUSÃO: (Rute 4:14-17)

14 Então as mulheres da cidade disseram a Noemi: “Louvado seja o Senhor, que hoje proveu um resgatador para sua família! Que este menino seja famoso em Israel!

15 Que ele restaure seu vigor e cuide de você em sua velhice, pois ele é filho de sua nora, que a ama e que tem sido melhor para você do que sete filhos!”.

16 Noemi pegou o bebê, aninhou-o junto ao peito e passou a cuidar dele como se fosse seu filho.

17 As mulheres da vizinhança disseram: “Noemi tem um filho outra vez!”, e lhe deram o nome de Obede. Ele é o pai de Jessé, pai de Davi.

O nascimento de Obede apontava para o nascimento futuro do grande descendente de Davi. Uma mulher viúva e sem filhos seria a avó de alguém que pertenceria à linhagem do Messias.

 O que aconteceu com Noemi muitas vezes acontece conosco. Como ela, estamos sujeitos às mais diversas adversidades da vida como enfermidades, decepções, traições, luto, além de outras coisas...

Quando você, meu irmão e minha irmã experimentar a dor, não importando qual seja a circunstância, veja nisso a oportunidade para reconhecer que Deus “não só está no controle, mas ele também está fazendo algo bom, ou seja, a realização de seu propósito em sua vida.

Muitas vezes não compreendemos porque certas coisas acontecem na vida. Nem sempre conseguimos enxergar o quadro completo, com todos os detalhes do propósito de Deus nas situações. Mas isso é porque os Seus caminhos são infinitamente maiores que os nossos.

"Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos.” Isaías 55:9

 

Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista em Catalão-GO

segunda-feira, 19 de julho de 2021

LAODICÉIA ONTEM E HOJE.

 TEXTO: Apocalipse 3:14-22


14 Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
17 pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.
18 Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.
22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
 
 
Introdução: Graça e Paz! O Texto que acabamos de ler, faz parte de uma mensagem específica do próprio Senhor Jesus endereçada às 7 Igrejas da Ásia . Esta Carta foi endereçada ao anjo da igreja em Laodicéia. O anjo (significa mensageiro), no caso aqui o pastor. Esta igreja recebe a sétima e última carta.
 
A cidade de Laodicéia
 
Laodiceia era uma cidade importante e muito rica. Fundada em 250 a.C., por Antíoco da Síria, ela era importante pela sua localização e riqueza.
 
Rev. Hernandes Dias Lopes relata que a cidade de Laodicéia se destacava por quatro características:
 
1) Centro bancário e financeiro – Era uma das cidades mais ricas do mundo. Lugar de muitos milionários. Em 61 d.C., foi devastada por um terremoto e reconstruída sem ajuda do imperador. Os habitantes eram muito orgulhosos de sua riqueza. A cidade (e a igreja) era tão rica que não sentia necessidade de Deus.
 
2) Centro de indústria de tecidos – Em Laodicéia produzia-se uma lã especial famosa no mundo inteiro. A cidade era orgulhosa da roupa que produzia. A aparência era melhor que a essência.
 
3) Centro médico de referência – Além de uma escola de medicina famosíssima, fabricava-se ali dois unguentos quase milagrosos para os ouvidos e os olhos. O pó utilizado para fabricar o colírio era o remédio mais importante produzido na cidade. Esse colírio era exportado para todos os centros populosos do mundo.
 
4) E conhecida por suas águas térmicas. A cidade de Laodicéia não possuía suprimento de água próprio, mas tinha que ser servida por aqueduto, que vinha de Hierápolis e Colossos. A água vinha de Colossos era muito gelada e a de Hierápolis era muito quente, mas como percorriam uma distância muito grande nem chegava fria e nem quente, mas chegava morna.
 
As águas termais de Hierápolis ajudavam no tratamento de alguns problemas de saúde. As águas frias de Colossos eram boas para beber. Mas as águas que Laodicéia oferecia eram mornas.
 
Um diagnóstico da Igreja de Laodicéia:
 
No início do versículo 15 Jesus faz um real diagnóstico da Igreja em Laodicéia destacando a sua identificação com a cidade.
 
A igreja tinha assumido a cara da cidade. Em vez de influenciarem a cidade. eram influenciados por ela. (crentes chuchu, eram os laodicenses).
 
Outra coisa importante a se dizer é que esta Igreja é a única das 7 igrejas a não receber de Jesus nenhum elogio. Esta igreja simplesmente ficava em cima do muro. Contentava-se em ser daquele jeito.
 
São três as características que Jesus ressalta nesta Igreja:
 
1- Mornidão espiritual
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
 
Da mesma forma que a cidade só podia oferecer água morna os crentes desta igreja também em termos espirituais eram mornos.
 
As águas quentes de Hierápolis ajudavam no tratamento de alguns problemas de saúde. E as águas de Colossos eram frias, ótimas para beber.
 
Dessa forma, a igreja de Laodicéia não estava oferecendo nem refrigério para os cansados espirituais, nem a cura para os enfermos espirituais. Simplesmente eles estava ali sem utilidade, sem conhecer o seu propósito.
 
O problema da igreja de Laodicéia não era teológico nem moral. O problema desta igreja era a sua apatia espiritual; sua falta de zelo e fervor. A vida espiritual da igreja era acomodada.
 
Quando comecei a refletir mais neste texto, o Senhor me chamou atenção ao fato de que nós cristãos da atualidade somos muito parecidos com a igreja de Laodicéia.
 
Não queremos ser frios de jeito nenhum, mas não achamos problema nenhum em ficarmos na mornidão, no meio termo.
 
Por ser morna a igreja de Laodicéia estava a ponto de ser vomitada pelo Senhor. O termo vomitar no grego é emeo, cuspir ou vomitar.
 
Desse termo é que se deriva o vocábulo moderno emético, um agente que causa vômito.
 
A enérgica expressão de Cristo é de aversão. Ele repudiará totalmente aqueles cuja ligação com Ele é puramente nominal e superficial.
 
2- A autossuficiência espiritual
17a “pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma,..
 
A autossuficiência espiritual é extremamente perigosa. Pessoas autossuficientes acham que têm tudo sob controle. Elas não têm consciência de nenhum problema. Acham que tudo está bem, quando não é bem assim. Esse é o problema de Laodicéia.
 
Por ser rica e de nada ter falta, achava-se acima das providências divinas.
 
O materialismo entorpeceu seus sentidos espirituais levando-os a um orgulho doentio.
 
“Um homem orgulhoso é um adorador de si mesmo”.
 
Jamais devemos nos esquecer de que o Senhor não vê como os homens veem, seus critérios e padrões são outros e são mais elevados que os nossos (Isaías 55:8-9).
 
A Bíblia nos adverte sobre o amor ao dinheiro de maneira enfática dizendo que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1 Timóteo 6:9-10).
 
Os crentes em Laodicéia não eram fervorosos para com Cristo, mas aprenderam amar ao dinheiro e depositaram sua confiança nas riquezas que possuíam.
 
A Igreja de Laodicéia se orgulhava de ter conseguido sua riqueza com esforço próprio. A acomodação espiritual estava acompanhada de orgulho espiritual.
 
3. Autoengano .
17b “...e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.
 
O autoengano é um perigo. E o apóstolo João em 1 João 1.8 confrontou o autoengano ao dizer: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.”
 
E o problema principal do autoengano é que você desenvolve um processo de mentir para si mesmo.
 
Fyodor Dostoyevsky asseverou: ” Não minta para si mesmo. O homem que mente para si mesmo e escuta sua própria mentira chega a um ponto em que ele não consegue mais distinguir a verdade dentro dele, ou em torno dele, e assim perde todo o respeito por si mesmo e para com os outros.”
 
O autoengano é uma grande tragédia. Laodicéia considerava-se rica, mas era infeliz, miserável, pobre, cega e nu.
 
a) São infelizes, porque a verdadeira felicidade não se encontra nas riquezas materiais, mas na vida abundante em Jesus. Felicidade não é resultado de abundância de bens, felicidade é fruto da abundância de vida que está em Jesus. O conceito bíblico de felicidade é completude em Deus.
 
b) São miseráveis e pobres, porque não repartiam suas riquezas com os irmãos das igrejas pobres.
 
Por isso Jesus chamou os crentes pobres de Esmirna de “ricos” (Ap 2.9), e os crentes ricos de Laodicéia de “pobres” (Ap 3.17).
 
c) São cegos, porque embora se negociasse em Laodicéia colírios para os olhos, não conseguiam enxergar as coisas espirituais.
 
d) São nus, porque embora se produzisse em Laodicéia muita lã para fabricação de roupas, não tinham vestes adequadas para se apresentarem diante de Deus
 
É muito interessante como Jesus conhece e mostra a realidade de cada Igreja na Ásia. Ele desmascara este autoengano:
 
Por ser a cidade de Laodicéia uma cidade muito rica e orgulhosa, os cristãos foram contaminados por este mesmo vírus.
 
Diante do diagnóstico que Jesus faz da Igreja em Laodicéia, parece que nós estamos diante de um paciente em estado terminal.
 
Será que há cura para esta Igreja? – Sim, há cura! E os remédios para curar esta igreja morna, autossuficiente e enganosa, foram prescritos pelo próprio Jesus! Eles se encontram nos versículos 18 a 20
 
18 Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
 
 
I- OURO REFINADO PELO FOGO PARA TE ENRIQUECERES.
18a “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres..”
 
O ouro representa as riquezas que Cristo oferece; os valores do Reino de Deus. E eles são mais valiosos do que o ouro de excelente qualidade que Laodicéia possuía.  
 
Na visão tradicional da economia da época, ouro refinado era riqueza garantida. Ouro refinado no fogo era o que não tinha nenhuma impureza.
 
Por meio do fogo, o Senhor vai retirando de nós aquilo que não condiz com a Sua vontade. São males que não fazem parte da nossa alma, ainda que estejam nela arraigados. A remoção dos corpos estranhos parece perda, mas é livramento.
 
O sofrimento que nos sobrevém é comparado ao fogo.
 
“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;” 1 Pedro 1:6,7
 
II- VESTIDURAS BRANCAS PARA TE VESTIRES
18b “...vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez..”
 
Embora Laodicéia fosse um centro industrial que produzia tecidos e vestes da melhor qualidade, ainda assim a Igreja se apresentava em completa nudez diante do Senhor.
 
Só podemos receber a vestidura branca do próprio Senhor e isto é pura graça.
 
Apocalipse 22:14 – “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas”.
 
Esta é uma questão crucial e urgente! Ser lavado pelo sangue do Cordeiro é de total importância para que tenhamos vestiduras brancas.
 
Após a experiência do novo nascimento, temos a responsabilidade de continuar usando as vestes brancas.
 
O Senhor Jesus espera que todo nascido de novo continue vivendo uma vida de santidade e permaneça com vestes brancas, sem se contaminarem neste mundo.
 
A igreja regenerada precisa continuar crucificada, liberta do pecado, sem a prática do pecado, até que o Senhor venha.
“(Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha.)” Apocalipse 16:15
 
 
III-COLÍRIO PARA UNGIRES OS OLHOS
18c “...e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas”.
 
A cegueira espiritual era o grande problema da igreja em Laodiceia: não conseguia ver a própria miséria nem podia perceber a sua nudez.
 
A visão é um dos bens mais preciosos que podemos ter, e os crentes laodicenses haviam perdido sua capacidade de enxergar.
 
O colírio que cristo tem é a própria Palavra de Deus que abre os olhos para o discernimento; para as coisas espirituais.  
 
Precisamos enxergar o mundo e as pessoas como os olhos de Deus.
 
 
IV- ARREPENDIMENTO SINCERO
19 “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te”.
 
Precisamos de um arrependimento sincero.
 
Esse arrependimento sincero só é possível quando aceitamos a repreensão e a disciplina do Senhor e nossa vida!
 
A correção do Senhor não deve ser motivo para tristeza, pois ela revela nossa condição de filhos amados, pois “se estais em disciplina sois bastardos e não filhos” (Hebreus 12:8).
 
A severidade de Deus soa como um alerta e tem por objetivo o despertamento espiritual que nos conduz ao arrependimento, o qual, por sua vez, produz uma mudança de vida.  
 
Portanto, exorta o Senhor: “Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (3:19). Zelo e arrependimento são ações concretas e inseparáveis. Também devem ser atitudes constantes o abandono ao cristianismo superficial e de aparência.
 
V- COMUNHÃO REAL COM JESUS
20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.”
 
O ápice do arrependimento consiste em abrir a porta do coração e permitir que Jesus entre e tome lugar conosco à mesa.
 
Essa é a maior expressão de comunhão. O que Cristo deseja é exatamente isso: estabelecer a verdadeira comunhão com a Igreja.

Perceba que Jesus está do lado de fora da igreja. Este não é um chamado para a salvação, mas para a comunhão e intimidade.
 
Por isso ele bate, e seu bater pode ser silencioso, por meio da pregação de sua Palavra, na qual revela seu amor e misericórdia; mas pode também ser em um brado retumbante, quando as circunstâncias da vida nos sobrevêm.
 
Mas seja como for, a sua voz jamais deve ser ignorada, pois só sua presença pode colocar ordem no caos espiritual de uma Igreja (ou pessoa) cuja vida perdeu o sentido e cujo cristianismo nada produz a não ser náusea.
 
CONCLUSÃO:
 
21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.
22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
 
Um trono é símbolo de conquista e autoridade. Não pode haver honra maior que esta: a de reinar com Cristo .
 
Temos a promessa que excede em glória todas as outras promessas ao vencedor. Reinaremos com ele para todo o sempre. Assentaremos em tronos com ele.
 
“Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos.” Apocalipse 22:5
 
 
 
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO

segunda-feira, 12 de julho de 2021

NÃO PERCA TEMPO- VOLTE AO PRIMEIRO AMOR


TEXTO: Apocalipse 2:1-7
 
1 Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:
2 Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;
3 e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer.
4 Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
5 Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.
6 Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.
7Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
 
Introdução: O Texto que acabamos de ler, faz parte de uma mensagem específica do próprio Senhor Jesus endereçada às 7 Igrejas da Ásia . Esta Carta foi endereçada ao  anjo da igreja de Éfeso (se refere ao Pastor) com o propósito de levar a igreja a enxergar sua verdadeira realidade espiritual.
 
Quantos de nós achamos que estamos muito bem espiritualmente, mas a nossa condição espiritual diante do Senhor é bem diferente. Ele nos conhece bem. Aquele que anda no meio dos candeeiros nos conhece bem. Ele sabe as nossas virtudes, mas conhece também as nossas mazelas, pecados e omissões.
 
Contexto histórico: Éfeso era a cidade mais importante da Ásia sendo uma província romana muito próspera, pois alí havia o principal porto de toda Ásia Menor. (atualmente, parte da Turquia).
 
Éfeso era um centro cultural e religioso: nesta cidade estava localizado o templo da deusa Diana, ou a “Diana dos efésios”, cultuada pelos gregos como “Ártemis” e Diana pelos romanos. Inclusive o templo dedicado a esta divindade era tido como uma das maravilhas do mundo antigo. O templo de Diana era 3 vezes maior que o panteão de Atenas.
 
Segundo alguns comentaristas, “Éfeso era o centro de todas as práticas supersticiosas e era conhecida no mundo todo por suas artes mágicas”. 
 
É digno de nota que a estátua de Diana foi esculpida de um meteorito que caiu do céu. Eles achavam que estas pedras tinham poderes mágicos, algumas pessoas colecionavam estes artefatos dizendo que eles tinham poderes sobrenaturais.
 
 
 
Nela estava também a igreja mais importante da província, pois se tornou uma base missionária estratégica, a partir de onde todos os habitantes da Ásia foram alcançados pela mensagem do Evangelho, e testemunharam dos milagres extraordinários que Deus operava pelas mãos de Paulo (At 19.11-12).  
 
“E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas, e os espíritos malignos se retiravam.” Atos 19:11,12
 
Em sua terceira viagem missionária Paulo retornou a Éfeso, onde se estabeleceu por um período de três anos formando ali uma liderança sólida de presbíteros, pastores e bispos (At 20:31).
 
(Veja: Atos 20:28-31)
 
28 Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.
29 Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho.
30 E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.
31 Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.
 
Ao lermos um pouco da história da Igreja em Éfeso podemos perceber que ela nasceu através do avivamento espiritual e zelo missionário do apóstolo Paulo e outros de sua equipe.
 
Agora Éfeso recebe uma segunda carta, pois a primeira a igreja recebeu do apóstolo Paulo. Mas esta segunda carta eles a receberam do próprio Jesus.
 
Ao lermos esta pequena mensagem de Jesus a Igreja em Éfeso podemos dividi-la em quatro partes: (1) Elogios (2) A Censura (3) O caminho do Retorno (4) A Recompensa
 
1ª Parte:
JESUS ELOGIA A IGREJA PELAS VIRTUDES ESPIRITUAIS
QUE POSSUÍAM. (VS. 2, 3 E 6)
 
2 Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;
3 e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer.
6 Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.
 
Este texto nos mostra pelo menos três virtudes:
 
a) Eles tinham boas obras – A igreja de Éfeso era ativa, ocupada no serviço de Deus e favor das pessoas.
 
b) Eles tinham perseverança–A Igreja em Éfeso tinha sido pressionada pela perseguição de homens maus e também pelos apóstatas que tentavam confundi-los, mas eles não se deixaram esmorecer!
 
c) Eles tinham firmeza doutrinária- No vs. 6 diz: “Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio”.
 
Irineu, um dos Pais da Igreja, dizia que os nicolaítas eram seguidores de Nicolau de Antioquia, um dos sete diáconos eleitos em Atos 6.5, e que logo depois se apostatou da fé. Mesmo depois de ter se apostatado, ele ainda exercia grande influência por onde passava. Aliás, Nicolau significa “aquele que conquista o povo” (Nike, raiz do nome Nicolau, vem do grego “conquistar”).
 
Diz-se que Nicolau afirmava que sua missão era dar uma versão moderna ao cristianismo. Com lábia e carisma, ele dizia que o crente poderia viver como o pagão vivia, não precisava haver diferença de vida. Bastava crer e pronto.
 
2ª Parte:
JESUS OS CENSURA POR HAVEREM ABANDONADO O PRINCIPAL: O PRIMEIRO AMOR. (VS. 4)
 
Apesar destas virtudes eles haviam abandonando o seu primeiro amor.
 
4 “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”.
 
A igreja em Éfeso, assim como muitas outras ao longo da história, não resistiu ao fator tempo. Com cerca de sessenta anos de fundação, se encontrava num estado de crise espiritual. Na verdade eles perderam a motivação do amor.
 
Voltando um pouquinho, Jesus é aquele que conhecia as obras deles, eles eram zelosos, perseverantes, mas Jesus sabia exatamente aquilo que os motivava a serem tudo isso, não era mais o amor e sim apenas a religiosidade.
 
Paulo diz em sua carta aos Coríntios, que podemos fazer várias coisas, até mesmo coisas extraordinárias (vide 1Coríntos 13), até mesmo entregar o corpo a ser queimado como um mártir, mas se não tiver amor isso de nada vale.
 
O cristianismo sem amor é uma mera religião qualquer, com seu ritos, dogmas, templos, e apelos. O que nos faz diferentes diante da religiosidade aí fora, é o amor, ele deve ser nossa motivação, para sermos zelosos, perseverantes e doutrinariamente corretos.
 
Voltar ao primeiro amor não significa tão somente voltar ao entusiasmo inicial de nossa caminhada com Jesus. Não é uma empolgação!
 
A palavra grega para “primeiro” é “protos”, se referindo à importância qualitativa e não cronológica.
 
Assim, o “primeiro” significa o “melhor” amor. É dar a Jesus em sua vida um “lugar de honra”, é deixar “que Ele assuma o lugar principal”.
 
Que Jesus ocupe o primeiro lugar em nossas vidas, que Ele ocupe a posição de principal, a posição de prioridade em nós!
 
Quando a nossa paixão e a devoção a Jesus diminuem, o primeiro amor por Ele já foi abandonado.
 
O Senhor encontrou muitas coisas boas entre os cristãos da igreja em Éfeso (cf. Ap 2.2-3), mas Ele em si não era mais o Melhor e Primeiro entre eles.
 
3ª Parte:
JESUS APONTA O CAMINHO DE VOLTA AO PRIMEIRO AMOR. (VS. 5)
 
O caminho de volta é proposto pelo próprio Jesus: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. (Apocalipse 2.5)
 
Cristo falou de três passos práticos que devemos dar a fim de voltarmos ao primeiro amor: 1) “Lembra-te” de onde caíste; 2) “Arrepende-te”; 3) “Volta à prática das primeiras obras”.
 
A- O PRIMEIRO CONSELHO É UM ATO DE RECORDAÇÃO, “Lembra-te de onde caíste”. Precisamos lembrar-nos de onde nós caímos!
 
Existem algumas situações que podem nos levar a cair. E quando nós identificamos estas situações ou tomamos consciência delas, estamos dando o primeiro passo para voltarmos ao primeiro amor:
 
1- Distrações: O verbo distrair significa “desviar atenção de um ponto”. Lucas 21:34-36
 
34 Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço.
35 Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra.
36 Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.
 
Nesses últimos dias, as pessoas têm andado muito distraídas com a ilusão das riquezas, com a bebedice, a imoralidade e outros pecados e até mesmo com as preocupações da vida.
 
Tais pessoas, se não acordarem das suas distrações a tempo, serão pegas de surpresa naquele grande dia do arrebatamento.
 
2- Orgulho: Orgulho é uma declaração aberta de independência e de autonomia em relação à Deus.
 
“Orgulho é um afastamento de Deus, especificamente para obter satisfação em si mesmo” John Piper
 
“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.” Provérbios 16:18
 
O orgulho já impediu que muitas pessoas se entregassem a Jesus como seu Salvador e Senhor pessoal como também muitos crentes de retornar aos caminhos do Senhor!
 
3- Amarguras: A amargura conforme o texto aos Hebreus 12:15, tem uma singularidade. Ela é como uma raiz que não fica exposta aos olhos humanos, pois ela é interna.
 
 “atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados” Hebreus 12.15
 
A amargura é aquele sentimento escondido de raiva, de indignação, tristeza e desejo de vingança. Ela pode ser direcionada tanto a pessoas quanto para com Deus.
 
Quando nos deparamos com pessoas críticas, maliciosas, pessimistas e duras, estamos apenas enxergando a árvore, a raiz disso tudo pode ter a origem na amargura.
    
B- O SEGUNDO CONSELHO É PARA ARREPENDER-SE.
“Arrepende-te”
 
Não basta reconhecer o que nos levou a cair, é preciso sentir dor por ter perdido o primeiro amor; lamentar, chorar e clamar o perdão de Deus e reconhecer que isto é mais do que desânimo, ou qualquer outra crise emocional. É um pecado de desamor, de desinteresse para com Deus.
 
Arrependimento é entender que eu estou errado e Deus está certo e agir diante desta realidade. O que marca o arrependimento genuíno não é o choro, e sim a mudança de postura e de conduta.
 
C- MAS O TERCEIRO CONSELHO É PARA VOLTAR.
“volta à prática das primeiras obras”
 
Seria o mesmo que dizer: confirma o teu arrependimento.
 
Portanto, não basta apenas lembrar o que nos fez cair, temos que voltar a fazer aquilo que abandonamos.
 
Estas primeiras obras não são o primeiro amor em si, mas estão atreladas à ele.
 
- As primeiras obras é uma forma de expressar o nosso amor a Deus,
 
- As primeiras obras é uma forma de alimentar o nosso amor por Deus,
 
- As primeiras obras têm haver com a forma como o buscávamos e também a maneira como o servíamos.
 
Note que Jesus não protestou dizendo que os efésios não o amavam mais, e sim que já não amavam como o faziam antes.
 
Precisamos mais do que reconhecer nossa perda, precisamos voltar a agir como no início da caminhada com Cristo.
 
É tempo de resgatar nosso amor ao Senhor e dar-lhe nada menos que amor total.
 
Precisamos refazer o caminho feito pelo Filho pródigo. Arrependimento, confissão, Perdão, Restituição. Volte ao primeiro amor.
 
4ª Parte:
JESUS PROMETE RECOMPENSAR AOS VENCEDORES (VS. 7)
 
7Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
 
O Senhor tem promessa para aqueles que voltam ao primeiro amor! Estes são chamados de vencedores!
 
Não adianta nada sermos vencedores aos olhos humanos em nossa carreira profissional, se não vencermos em nossa caminha com Jesus!
 
Vencer deve ser o alvo de todo o sincero cristão. O povo de Deus é encorajado a vencer todos os males do pecado, para que, ao final, na vinda gloriosa do Senhor, receber a vida eterna e a recompensa!
 
CONCLUSÃO: Voltar ao primeiro amor não é tão simples assim! Creio que esta volta não é instantânea e nem tão pouco fácil. Ela faz parte de um processo gradativo. 
 
Por várias vezes na bíblia encontramos um anseio de Deus pela nossa volta! Pelo nosso arrependimento!
 
Oséias 14:1,2
 
1 Volta, ó Israel, para o SENHOR, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído.
2 Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Perdoa toda iniquidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios
 
 
Pr. Gilberto Oliveira Rehder
Igreja Metodista Catalão-GO